quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Início

Eu não posso voltar atrás e fazer melhor
Quando voltar atrás é não fazer
Fazer não fazer é bem pior

Sou apenas um iniciante mais experiente
Como nunca antes
Sigo adiante: Eis a única chance!

Se não começo
Não haverá começo
e nem me conheço

Meço-me
No movimento
Se calculei a minha forma
Vou ao próximo momento

Defino-me sim
Não definho-me em indefinição
Não morrerei pelas mãos da eternidade
É uma pergunta qualquer frase que termina com ponto de interrogação?

Me dou fim e início
Este é o movimento
Que me prende a natureza

Na infinitude do espelho
Está apenas a minha mente
Divirto-me com o infinito
Mas devo passar
Não devo passagem!

Já me afoguei em vários rios
Não sou mais o mesmo Narciso
Posso ter outros nomes em outros risos

Se existe outros reflexos
Existe salvação para a minha vida
Existe rios que sei que carregarão a minha imagem
Sem precisar de mim
Posso me esquecer no Universo
Onde está uma Lembrança de mim
O olhar-me sem me fixar

Afinal
Iniciar é apenas isso
O Início está em seu caminho
Basta-me apenas acompanhar

Fim.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Lilith

Eu não sou o deus de seu jardim do éden
Para lhe condenar quando de seu trabalho floresce o fruto além do bem e do mal

Não sou a serpente que aprende de sua sabedoria e não toma parte por sua verdade que brilha pela Vida

Nem o covarde adão para desprezar uma Mulher no Auge de Seu Conhecimento

Você já foi por muito tempo a Mamãe da Humanidade
É tempo de ser Mãe para Si mesma

Estenda sua mão para mim
Divindade
Quero andar contigo lado a lado
Como Bem e Mal que são filhos do mesmo conhecimento

Como Conhecimento e Natureza descendem do mesmo Universo

Como Universo e Criação descendem do mesmo Amor

Te amar será Ascendência

Irmã minha, Amada minha

Mulher Criadora
Ascenda-me ao Teu Seio
Amor e Boas Novas ao Teu Desejo tenho em minhas mãos
Meus lábios querendo o esclarecimento nos Teus: Assim caminho

Ao teu Seio de Amor
Serei Amor e em Amar permanecerei

Tu mostrarás esclarecimento
E em espalhar a Luz te encontrarei

Em guardando Teu Mistério
Te observarei e me encantarei

Toma-me portanto Lilith
Me dê um nome
Me dê caminho
Minha Obra tem Teu Estandarte
Minha Alma em Teu Corpo
Meu Corpo para Tua Alma
Teus Dias é meu Tempo
E Tua Vida meu Templo

Abraça-me Lilith, Abraça-me

Decadência é não descender de Ti

É Tempo de Ascendência
Toma o que é Teu

---

Agradecimentos a Natália Tavares

Adeus, Meu Mar

Chamam a ti de verde
Chamam a ti de azul
Eu te chamo de... Apenas você
Razão a qual meu céu é colorido para sempre

Existe uma Onda que veio de você
Que nunca terminará em mim
Eu... Ondulando você eternamente

No momento que você dança com dança generosa
Eu me lembro o que sei a respeito de nosso amor e amizade por tanto tempo
Não há calma ou tormenta - Apenas nós - Dançantes

E enquanto danço eu peço tocando-te suave para poder partir
e Deixar um Mar que nunca terminará em mim
Uma ironia mais profunda...
Enquanto eu me vou tão longe de você
Eu irei viajar com você tão profundamente em mim
Pensei que você era eu
e que eu era você
Isto não é uma mentira
Isto não é uma verdade...
Nós somos igualmente - Velejantes - Dançantes - Dança
Ondas Inseparáveis
De um Mar Universo Infinito

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Agradecimentos a Inês Carlésio.

Inês Carlésio: Direção poética e título.


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A Melodia de Outono

I

Corações Quebrados devem ficar fora do amor
Fora de qualquer harmonia
E se melodia o amor inspira
Corações quebrados devem ficar fora disto

Corações quebrados devem ir ao pó
Pois vêem de Estátuas no Jardim
Jardim agora sem as gentes dançantes
Sem praça, sem celebração
A música não toca mais
A fome pelo Amor não está aqui
Perfumes além-campos a fizeram peregrinar
Se foram todos
Cabe então que os corações quebrados paguem
Fragmento, por fragmento
Em justiça as Montanhas e as Pedras
Que não queriam ser esculpidas
Por mãos humanas estúpidas
Bruscas
Línguas más que chamam de bruto
O que passa por seres milhares, milênios milhares de milhares
Em artes do vento

Mas chamam as mãos destruidoras
Mãos que não tomam a vida para danças
Que roubam a vida e as danças
De mãos artísticas!
¿A que chamareis...? ¿arte?
Se nem o que tomais para vós
tendes parte?

II - Kali

Eis todo pó aqui
Chove e choro
Minhas mãos oleiras
Vão se descobrindo assim
Por obrigação
depois de ouvir a Sinfônia da Destruição
Com ouvidos atentos
Suplício lento
e coração oni-insciente onde se inscreve tudo
De amor
Que de amor que se canta
Tudo escuto
Só dela ouço!

III

Beijos lentos emergirão
De todo suplício
De todo amor ignorado e desconhecido
Virá o Convite para a Vida ao Amor
Vindo em uma Celebração de Saber-se-junto
- C(...) V(...)!
Só dela ouço!
Só Ela posso ouvir!
Ouço a Sinfônia da Chuva
E as danças de vento no Jardim
Vejo ainda muito mais do que vi
A música, os perfumes, Ela-Mulher
Tudo o que era pleno de perfeição já sendo tão humano
Sendo tão esclarecimento já sendo tão mistério
Tanto amor havia, tanta felicidade
Que o transbordar convidava até para segredos
Mesmo que confessados aos beijos
E agora há! Porque houve e sempre haverá!
Tudo ouço, tudo vejo
entretanto nada sei
Até o advento de minha Sabedoria vir
No tocar das mãos que à descoberta dos prazeres enamorados
Guias serão!

IV

Não mais lamento por corações quebrados
Eis que virá
Ela!
A Melodia de Outono
Na qual sempre serei
Sem precisar me escutar
Escuta-me Tu!
Óh! Tu que me escutas...

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Agradecimentos a André Araújo, Dalva Ramos De Souza Campos, Iracema Lima, Irene De Moraes Teixeira, Renata Rinaldini.

Sagitário - Melhor Signo - Melhor Época do Ano

Tô cheio de zueira e otimismo

Cinismo e Inspiração

Quem aguenta o paradoxo

Pegue na minha mão

É necessário escrever

devo amar a mim
- òbvio!
É necessário escrever!

O amor! Que lindo! Amemos!
- Para que repetir?
É necessário escrever!

Vamos melhorar o mundo! Falar: Humanidade, rezar: Liberdade!
- Ahr!
Escrever, escrever, escrever!

Escrever| é preciso|navegar mais que isso!
Viver é artigo de luxo, apenas desejo: de continuar a escrever!
E escrever, reescrevendo acima das areias do tempo
Tudo o que foi tomado por outros anos
Contra os ares revoltosos de tudo o que se sabe
Que não há nada novo debaixo do sol

Visto que o antigo que já foi dito
Ninguém escuta
E o que de novo se tem
Já é costume
E o que se sabe
Ninguém sabe mais que dizer que sabe
Escreverei resoluto
Não dependo de uma nova sabedoria para ter o que dizer
E mesmo dependente das não-novidades a lançar para as gentes
Sou escrevente
Das obviedades eloquentes
Não conheço outro motivo
Não professo outro credo

Para escrever igual ao que se quer
Ou diferente de tudo que há
Tanto me faz, tanto não
É previsível pessoas buscarem o inédito e o imprevisível
Eu prefiro perseverar em escrever de forma previsível e desnecessária
Meu caminho limitado vou até o limite
Meu caminho com fim traçado vou até o fim
Vou experienciar a Beleza com tudo: Já sabeis
Portanto não vou além do entendimento para ter tudo o que preciso
Vou viver o que de Amor há de se falar com suspiros
Vou escrever o que há de esquecer ou de se lembrar
Visível
Sempre passível de ser visto
Jamais mostrando-me ou escondendo-me
Não preciso: Eis o escrito

Até o fim dos dias, mesmo que já findado os meus
Vou diante do tempo
Sempre escrevendo
Ninguém me deterá
Certamente me encontrará
A escrever
Certamente o encontrarei
escrevendo-o!

Sol

I

Não visto no reino dos mortos
e nem existente para deleite de ser visto no reino dos vivos
Apenas para brilhar surge
Tampouco Ser... Manifestação!

Quem pensa em ser diante da luz?
Quem tem tempo para vaidades existenciais quando se está plenamente existente?
Quem tem tempo para máscaras de consciência quando se está atento?
Quem tem irresponsabilidade para se ausentar quando saber é estar presente?

II - O que é o Passado?

Somos nós mesmos de forma tão Absoluta
Que sentimos o envio de nós por nós mesmos
Para preencher e caminhar outros tempos e outros espaços

Somos nós
Nunca os mesmos e Sempre o mesmo movimento
De tempos e tempos
Numa origem sem fim
O Beijo do Infinito no Finito

Infinito seja
Estar dentro do Fim
Tão intensamente ao ponto de ser dever não aceitar quaisquer prisões
Apenas a nossa liberdade acompanhada
Verdadeira liberdade
Verdadeira construção

III - Solitude

Solitude nos jardins da aurora florescerá
Jardins de aurora florescem
Com a devida Solitude para regar
Amar, aquecer e dar a devida observação

Da Solitude a Observação
Que tudo ilumina generosamente
O Sol que manifesta atiça os seres
E presto estes vão uns aos outros como querendo esclarecerem-se
De onde veio o despertar primeiro...

Quem é o Ser Primeiro que despertou?
Quem poderá dizer verdadeiramente?
Então declare-se orgulhosamente
Verás que teu Orgulho de Ser não foi o primeiro e nem será o último
Então saibamos que em todo o tempo que se há é todo o tempo que passou
"Houve um nós
E haverá eternamente"
Seja a Canção do Futuro no Coração
Que estava na memória e está a ser cantada agora

Solitude

Ter consciência da Solidão
Já é ter companhia
É conter a Solidão
De forma completa
Isto é Solidão? Não.
É um princípio de começo
Para não-iniciados

Quem em infinitude finge dançar
Apenas reclama, apenas revolta
Por quantos círculos quiser contar
...

...E se eu ignorar ou enlouquecer
Livrando-me do peso dos anos
Eu não serei o que será de mim
Trancado por anos de saber de mim
Dou as mãos a minha In-finitude
E a certeza
É de que com esta eu vou dançar
Até que com Ela eu possa também dançar
Quantas geometrias, geografias e universologia experimental
Que isto há de revelar!
- Há de revelar! Dancemos! Um brinde as tuas mãos! As tuas mãos...

Maior
Absoluta
Pura
Saber ter a Solidão: Doçura
E por que não? Low-cura, Cura
para toda sabedoria pura
E é por aí
Que a saga continua!

---

Inspirado pelo filme (...)...

domingo, 27 de novembro de 2016

Oração Blasfema

Sou antiglobalista até os ossos
Tenho ojeriza Orwelliana eterna a utopia dos porcos
Nego e renego o Evangelho de Karl Marx para a humanidade
Eu vejo o cordão umbilical inquebrantável
Entre ditos revolucionários e banqueiros
Entre socialistas e empreiteiros
Entre justiceiros e burocratas
E militância cultural em prol do próprio bolso

Sou anti-tradicionalista até os ossos
Da tradição de obedecer sem duvidar
A tradição de lutar contra mim
Em nome do rebanho de tolos
Para os donos dos matadouros

Eu blasfemo, eu duvido e eu questiono
Sei que isto levará as lágrimas
Os crocodilos que choram pelas vítimas entre seus dentes
Os papagaios que me dizem "Pela justiça, pelo bem e pela igualdade"
Vindos de cidades transformadas em manicômios a céu aberto
Da doença que doutores devem eternamente tratar:
A culpa
Pelos males de todo o mundo e toda a história
Até que a cura seja
A obediência absoluta

Sei que os fatos me fazem uma pessoa pior
Sei que não consentir com a bondade dos heróis prontos para o uso
Ah! Isto não me faz apenas um vilão, mas um socialpata
Mas sou blasfemo e minha oração é blasfema
Apenas pelo privilégio de desagradar corações leves
E se é para o desagrado de todas almas boas do mundo
Venham todas estas para esta blasfêmia minha que grito:
- LIBERDADE! LIBERDADE! LIBERDADE!

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Canção do Exílio

Estou feito ao Exílio
Isto deve-me ser Natureza
Questões do Ofício
O que me faz e o que me desfaz
Inerente ao meu agora tropeçar no Tempo
E avançar sobre as Paisagens do Caminho
A Ir bem a frente
Na esperança apenas
Que as Mudanças
venham com as Necessárias Belezas