quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Não posso te Amar óh tu que fora tão Amada minha!

I

Não! Não posso te amar! Óh causa de divisão entre as Deidades
Devastamento de Cidades e Inimizades entre as Gentes
Não posso te amar

Porque quando o Amor me guiava
Me ensinou a frear qualquer misericórdia
Porque o amor não perdoa ninguém
E quem lhe é devoto ama sem piedade

E agora que o amor foi embora
Todos os ensinamentos ficaram
E nada restou de mim
Lamento não haver nada de mim e nem nada para te oferecer
Que apenas o vazio que carrego é o que tenho de abrigo
E que existe de maior que o Amor
Por isso tudo o que disse antes
Te nego agora
Vai-te e fica com o verso que permanece
Vá! Enfrente! E esquece o poeta de outrora.

Não posso te amar... Sou apenas um monumento de uma Era de Amores que se fez legendária
Não tome parte das ruínas e destas estátuas
Não temas a Deus! Olha para trás quantas vezes quiseres
Mas não ouses voltar atrás!
Siga em frente! Siga sempre em frente
Em frente! Óh! Tu que fostes tão Amada
Tu que fostes tão somente a Amada... A Minha Amada
Agora é aquela que se vai... Aquela que percorre caminhos
Aquela que abençoa as Estradas com suas passadas de Danças
Aquela que prepara suas tranças e se enamora com o Vento
Óh! Tu que é mais que uma Amada para mim
Desde que o Amor e Você se foram para longes de mim
E bem sei qual de vós jamais retornará

Eu vejo... Eu vejo
Vá! Vá!
E eu permaneço...
Olho sempre para frente
E não mais posso me mover
Oro no momento final de alguém que fora Amante
Óh! Ventania!
Leva-me! Leva meus sais e a minha poeira
Para perto dos caminhos de Aquela Caminhante
E nos movimentos dela terei de lá meu último instante
E essa será a minha porção na Terra

Então tu queres
Os Céus e a Natura quer
E as Deidades que te abençoam

E a satisfação me é trazida
Pela última brisa sentida

II

Uma Dançarina-Caminhante encontra seus presentes
Entre os mistérios de uma Neblina

Uma Dançarina-Caminhante encontra seus pertences
Entre as Paisagens que formam seus passos

III

Por que ela me atrai como nenhuma outra Amante?
Por que ela é - A Única?
Por que entre todas ela é o meu maior bem?
Por que ela me atrai como nenhuma outra Amante?

Por que tem que ser ela a Mulher da Minha Vida?
Por que estamos destinados e por que afinal devo concordar que está escrito nas estrelas?
Está escritos nas estrelas, no Universo, no Livro de Deus, na mão do Diabo...
É a Tatuagem que ficou no meu coração? Está lá escrito ou pintado?

Por que somos esta oposição de Sol e Lua?
Por que completamos um ao outro como Tempo e Eternidade
Luz e Trevas
Amor e Nada?

Por que somos criaturas e criadores?
Do grande amor e dos pequenos amores?
Por que somos nós escritores
Das histórias para que sejamos também atores...
Vontades... Destinos...
Se obrigando e se libertando
Fluindo como ondas no mar
Se acalmando como maremotos
Se afundando em rios
Encerrando mananciais e jorrando jardins...
Por que só Ela! Por que só Ela?
Criatura e Criadora
Invenção Inventiva e Inventora Inventada - Ah! Minha Amada!
Do meu Amor
Do meu Amor
Meu Amor ou Ela?
Quem é Ela? Que é Meu Amor? Ela?

Por que ela me atrai como nenhuma outra Amante?
Por que ela é meu sossego no Problema?
Por que ela é a resposta no Mistério?
Por que ela? Responda quem agora me ouve!
Deus, Deusa, Deuses, Deidades, Semi-Deidades
Seres-Tudo, Seres-Nada
Esse Amor me é absoluto
E se esse Amor não for
Eu e vocês estaremos perdidos
Nem existiremos, nem haveríamos existido
Em algum momento da ex-história que nunca houve
Este Amor é Absoluto
Se ao menos quiserem ser relativos
Dêem as respostas
Certas ou erradas
Mas que Sejam Amor

Amor Cigano

Amor Cigano
Sabes o nome
E os prazeres que lhe atormentam
Para tuas buscas de mim

Eu me afasto
Depois que meus dedos já terminaram a canção
Fique você com a emoção
Preciso me isolar para entender
Quão eterno pode ser
O Amor efêmero

Em minha visão
O Sol banhado e o eterno desafio do deserto
Das estrelas que não me deixam
Ao lado da Companheira - A Guitarra a tomar boa parte do horizonte
Eu vejo sua silhueta
Penso em ti e vou-me pensando em ti
Até que minhas mãos se agarram numa outra cintura
Para uma outra canção
De meu amor sem fim

Apraza a mim a doçura do seu amor
A maldizer todos os meus outros amores
A abraçar-me com a força de não me deixar partir
Eu me sinto amado e não vou embora
Se não estou mais ao seu lado
É o Destino que me abriu a porta
Que não me foi dado o privilégio de adormecer no amor sossegado
Que ninguém é forte o bastante para segurar o destino
Os mais fortes braços do amor
Sempre abrem mão da força em gentileza
A quem amando precisa partir com rapidez
E estou amando, estou amando, amores e Amor
Amores e Amor
Amor Cigano
Sabes o nome

Podes me chamar
Mesmo que sempre irei partir
O Desejo permanece
As vãs idéias e vãs eternidades desvanecem
Sou todo seu em qualquer instância
Chamas para teu corpo a lembrança
Assim como chamas a mim
E durante minhas serenatas e meus caminhos
Saberei aparecer de repente
Para você que me fecha as portas
E me abre a janela

V

Agora já não mais suspiro
E não insisto mais com as palavras
Que elas estão guardadas para um coração
Que elas estão presas dentro de um coração

Passarão ainda outros mil anos
E todas as intercessões das divindades
É que o reflexo deste amor não cai jamais em nenhum outro rio
Por Amor a todas as Fontes
Que não esta: Manancial de Loucuras de todos os Amantes

Não estamos livrados
Não seremos livrados
Assim será

As estrelas se fecharam por um tempo
Apenas para não contemplarem
Os malefícios do acaso
Que sentenciaram-nos
A nossa paixão
O Malefício escapa
Nós não escapamos
E por um mistério nos abraçamos
Para findar a Dança
Que nunca mais e nenhuma outra vez
Nos atreveremos a atravessar

Sim! Fizemos monumentos de prazer
Imponentes!
Mas são sepulcros da alma
Martírios para o ser
E agora
Somos ausentes
Somos ausência

Então em nossa demência
Pois acreditamos sem pestanejar
O que é e o que queremos do Amor
Estamos juntos, entre abraços
E beijos
A face de um sonho adornando
Nós em um mesmo pesadelo
Chorando devaneios alegres
E as lágrimas se evaporando
Como nossas almas
Para bem longe
Para bem longe
Do nosso amor que só dura um beijo
Que só dura um relance que contempla a face
Face de Amor perfeita
Corpo da Dor Eleita
- Encarne-se!

Fujo de teu brilho como fujo agora das estrelas a amaldiçoarem nosso amor
Que elas não guiam a quem os céus ignoram
Para almas pobres e vulgares que não se iluminam com nada e que se acham a luz do mundo

Estou compelido ao teu prazer
Ao meu desfazer de mim mesmo
Em tua cama, em tua chama
E incendeias e incendeias
És glorificada
No meu amargor e dor selvagem
Tu te embalas
E no fim da noite e no começo da Balada
Nossos corpos cheios de torpor
Nossas almas cheias de nada

Nos devoramos
E nada entendemos
Os Demônios não tem mais parte de nós
A não ser entregar flores queimadas
Por adoração a nossa ignorância
A nossa tolice de profanar o Amor
Adorando-o

Aqui não tem beleza
Banquete de vazios sobre a nossa mesa
E em nossa maior insanidade
Caminhamos juntos e nus perante o dia
O registro do absurdo possibilidade nascido feitio faz a Fortuna nos sorrir
Em ironia
Nós sorrimos de volta
Porque somos reflexos apenas
Espectros a cumprir pena
Luas falsas incapazes de reluzir
Pois não a nada aqui para a luz adornar e revelar

Prendamo-nos uns nos braços do outro
Mesma coisa somos
Ausência de verdade
Ausência de identidade
Que pode ser dividida por convenção
Eu te desejava e tu querias nada
Agora somos arrastados por vontades e desejos cegos
Que nos mantém reféns
Um do outro
Onde somos réus e juízes
Então aplicamo-nos a pena mais triste batendo o martelo: - Nós!

Agora chama das horas tristes!
Vem cá para que lhe conte o segredo
Te levarei para o Jardim
Te erguerei um altar
Pois só tu Amor Horrendo
É que queres me sacrificar
Sacrifica-me
Sacrifica-me
Queira As Divindades da Misericórdia
Te escutar e capacitar o Tempo para que traga boa oportunidade

Existem muitas mentiras no movimento de teu corpo
Eu que conheço seu corpo de cor
E tão pouco de suas mentiras
Volta para mim! Sinto sua falta
Como o deserto sabe que será regado pelo escaldante sol
Para florescer cemitérios de flores
E Rosas Negadas pelas Trevas

Vais mais alto e ascendes
As falsas musas vão contigo te sendo asas
E eu num momento mais estranho
Ergo para ti construções que glorificam teu nome
E te adoro ainda mais insano
E então a Chuva de nós Amantes renegados enfim pode
Fustigar as humanas gentes desejosas
Com a negação de desejos e de verdades
Com o Amor Profano

Não perco mais tempo pensando
Vou para o céu dos inglórios junto a ti
E em nosso ir juntos
A Culminação de todos os nossos enganos

Vou te seguir, vou te seguir
Te amaldiçoando com minhas juras de amor
Tu vais sonhando-me e sonhando-me
Fustigas-me com teus sonhos bons forjados no inferno

A manhã - chega
O exorcismo de nossa Alma Primeira
Brilha forte no lugar do Sol
Fugimos para o Amor
Dançando insanamente
E somos enfim selados em uma profundidade
Por obra do Amor que ao Mundo retorna
E então mais juntos estamos
Menos somos até não sermos
Enfim cessam-se os tormentos
Caem as mentiras
E encerramos nossa lenda
Com nossas juras de nos prendermos
E de acabarmos um ao outro
Eternamente! Amor!

VI

- Esquecimento fácil
  e gostar intensamente
  Livramento para as humanas gentes

VII

É tua a culpa
Da mirada solitária
Da caminhada perdida num Jardim de Amantes
É tua a culpa
É tua a vinha

Passarão milhares de amantes por meus braços
Passará nenhuma por meu coração
Gritei e gritei
Deus me livra! Deus me livra!
- Não livrará
Sussurrou-me um Anjo
- É tua a Culpa
  É tua a Musa
  Que Deus não livra ninguém
  Do castigo que lhe cabe
  Ainda mais se escolheu tal Musa Encantadora
  Então se apraze
  De lhe ser aplicado o mais cruel castigo
  Com a mais Bela Face

 - Não, não vás agora
   Não torne suas costas para mim
   Anota teus sofrimentos num papiro
   Minha revelações para a humanidade
   Que aos Anjos obrigar a outrem a mensagem que lhe cabe é Dever
   E escolher dos mais desgraçados os mais nobres profetas
   Um Prazer
   Não explicado e em nenhum momento se explicará
   Ah não ser alguma sorte de anjos que cairá
   De vós se apiedando em contar
   Com as asas cortadas: Silêncio
   Decifra dos anjos o enigma
   Que mais querem lhe contar
   Não podendo senão em silêncio
   As revelações do planos de Deus para vós
   Ah! Quem de vós decifra enigmas em silêncio aos quais devem ser respondido pelos calados?
   Desconheço
   Por isso vos devorará em segredo por Eras
   A Imortal Quimera
   Fica a vós contar a ausência das gentes
   Que gostaríeis que habitassem a terra e não nascem e não vêm
   Apenas a vós
   Apenas vós
   E a Imortal Quimera
   E o Eterno Silêncio
   Indecifrável
   Com os Mudos Anjos
   Que ninguém ouve
   E nem ouvirá
   Que assim seja!

Tudo Termina Nela

Tudo termina Nela

Então faça uma prece e faça sua espera
Vá segue qualquer caminho
Pois tudo termina Nela

Não somos feitos de amor
Mas desde que somos vamos em caminhos para este
Como explicar isso para o Coração?

Somos frutos de um Primévoro Amor Misterioso
Sem ponto de intercessão
E eis assim a intervenção primeira
A lançar seres e seres para a Eira
E para o Pó
Que ganham asas e vento
E viram Poeira
Para se espalhar e se espalhar
Tal as luzes das Estrelas
E em assim - se desvanecer e se expandir
Enfim aprendem
E viram enfim Estrelas
Como explicar isso ao Coração?

O Coração que quer se derramar
No Rio e alcançar o Mar
E já mais rápido que a mim
Nadar em meio as Estrelas
As muitas águas, planetas e grãos de terra e areia
Sim... Para este que surgem rapidamente amizades entre as Aves
As Alas e os Céus de Encontro A Rosália Celeste
As Jardinas e suas plantas beninas
Como explicar... Como explicar
Que ao se derramar assim no mar
O Coração vira fácil por amor Estrela
Como explicar isso para mim?

Coração-Estrela! Coração-Estrela!
Explica essas e muitas coisas para mim
Vou me derramar no Ar
A mim me veio as Asas e o Vento
...

Cânticos para Amar

I

Agora que sei amar
Onde está a minha amada?
...

Digo não a eternidade
De que forma poderei prender emoções
Que me arrastam até a Liberdade?

Venha comigo Amada e digamos não a Eternidade
Se liberte mais que assim também me libertas
Esforça-te para ir além da saudade
Para se refugir no jardim de prazeres da Verdade
Que está e estará
Em dizer não a eternidade
Te acolherei em meu peito em todos os lugares
Em teu leito dormirás sem companhas e devaneios
Porque naquela Montanha que subimos juntos
Juramos um ao outro
Dizer não a Eternidade

Dizer não por toda a eternidade

E os juramentos outros se tornam estrados benevincentes do Palácio da Verdade
E lá te encontro e te despeço sempre em máximo amor e máximas carícias
Tuas primícias que a ti ficam desvanecentes
As Luzes das Lamparinas Iluminam enqüanto queimam
A Noite enqüanto há estrelas
E nós nos iluminamos enqüanto acendemos um ao outro

Enqüanto estamos com o que há
Nada nos afasta da verdade
Tudo nos arrasta a liberdade
Libertai! Libertai! Libertai!
Que os corpos se libertem das vestes
Que os corpos se libertem
E cubram uns ao outros de desejos
Que o desejar é o melhor adorno
E os desejos em Encontro a morada mais segura
Te quero da forma mais pura

Te amo desde a forma
Te amo até a fórmula

Em chamas

II

Agora que sei amar
Onde está a minha amada?
...

Sei amar
E se sei
Vou sem metáforas ao teu corpo
Não me declaro louco por delirar de prazer
Não faço excusas com a beleza da noite
Para te reter comigo
Estamos despertos porque sono é a ausência de prazer
Pertos porque o prazer é o amanhecer que precisamos
Prazer é a Luz dos Corpos
Nesta Luz
Não há escuridão
Que esconda as delícias de seu templo-corpo de Mulher de mim
Nos encontraremos por luas e ausências de luas
Por noites e dias
Através dos tempos
Nos procuraremos e nos encontraremos
Ante a Luz dos Corpos

III

Agora que sei Amar
Onde está a minha Amada?

...

Por entre as Matas que nossos pés conhecem
Eu banhava meu olhar em nosso Rio

...

Por entre as Areias em que nossos corpos aprendem a voar e a trabalhar
Onde a Sabedoria: Amor e Vôo - Se unem e nos fazem crescer para o nome: Amantes!
O deserto florescia meu coração e o jardim que se fez
Ofereci para Ti

...

Por onde eu procurava abrigos
Para você e nossos filhos
Encontrei uma flama que não se apaga
Ao redor dela fiz a nossa casa
Os ecos de nossos amores se propagam na caverna
Os seres que propagam os Sons-Maravilhas que lá habitam
Vêm lucificados ao encontro das gentes vizinhas
E tudo o mais e todo o mundo
Se Ilumina

...

Eu estava no Mar
Pensando em você
Que não se vai
Sobre o belo horizonte que o mar pintava para mim
Eu vi - Uma Flama - Sobre a Superfície
A Fulgura-Maravilha
Que por minhas próprias forças nunca seria entendida

Mas...

Ouvi um sussurro em meu ouvido: Espera
Eu olho para ti
Minha paixão para ti
E através de um Beijo
A Flama que fora contemplada
Veio em direção a mim
Tudo por causa de Teu Beijo
Tudo através de um Beijo

O Amor estava em mim
E desde aí
Percebi
Como fazer o que fluía para mim
Ir para Ti
Desde o Infinito

Te amei sem fim...

...

Dentro das Flamas
Os Ares que dançam à Vida
Vem como gentes humanas
Nos dar as Mãos
É hora de celebrar a Vida
É hora de oferecer-nos ao Amor
Que está além das Estrelas
Que nos vê através delas
E Inalcançável - Beleza - Amor - Entidade Máxima - Se Ostenta
Se Mostra através de Nós
Nos mostremos uns aos outros
Na Dança do Amor que se mostra
Como um de nós
Que assim é

IV

Agora que encontrei minha Amada
Onde está o meu saber amar?

...

Na Casa de Jogos

I

Eu não pude ler as tuas cartas
Eu não pude ler nenhuma de suas mentiras
Tenha tal coisa certa e acertada
Jurei a minha Lealdade mesma não ler coisa alguma de ti
Depois da ultima carta e da última ferida.
Se quisera dizer algo a tanto tempo ou quiser dizer depois
Tua última carta e última ferida é tua Eterna Resposta
A Tua Eterna Resposta para mim: Tu minha Eterna Última
Eterna Última
Irmã de minha Eterna Primeira Inalcançável
Tu que és a Mãe aqui de tudo intocável e que pode ser visto
Em qualquer rua e em qualquer pensamento
Descuidado
Em qualquer rua e em pensamento descuidado
Eu me vou pensando em ti
Com a certeza de jamais te encontrar
Tu que és prisioneira de tudo o que há em mim
E que existe por mim: Condição de Ti assim
O resto é vento e fantasma a se recriar
Com as falsidades de toda quimera não realizada
Algo na carne
Monstruosidades das falsidades mais detestáveis
Que usam tua vaidade e teu nome em vão
Que atormentam tua vaidade e teu nome em meu vão coração
Tua vaidade e Teu Nome e meu Vão Coração
A única coisa vã que não pode ser sua
A única coisa em vão que só pode ser minha
E que fica isso tal o meu pecado que não pode ser perdoado
Por orgulho imenso implacável
Por toda maldita criatura que lhe disse não mesmo incapaz de fazê-lo
Tu ficas com o Não e eu Carrego minha condenação
Digo com minha sinceridade
Afastai-me da monstruosidade
Que não é você em mim
Que não é você dentro de mim
O que muda não é tu dentro de mim
E o que mudar eu rejeito
Em nome de ter apenas no peito
O que no peito ficou cravado e gravado
A tua última resposta
A tua última dança
A minha última alucinação
A minha adoração

A Única Última!
A Única Última!

Bebamos e bebamos
Em celebração a Deusa Última
E os cultos a ela que restam proibidos

(das despertações da líbido e do espírito
Que restam comigo e eu os conto
Apenas para me enterrar no ponto
Em que de ti duvido
Para nascer o crente fiel
Restarás adentrada e morada do Castelo de Fel
No Paraíso inquebrantável de Chamas
Onde o meu amor se derrama copiosamente

E nada apaga
E nada apaga

Descansa Amada minha
Minha Última
Amanhã brilhará outro Sol e queimará outra chama e flama
Das Manhãs Inalteradas - Vulgares Madrugadas
E das Noites Inflamadas - Negras Ainda e Belas tal a Ti
Para que os vazios e os nadas de meu amar
Tu possas sempre reluzir
Eterna Reluza de minha Vida! Eterna Resposta de tua Carta
E Prisioneira de Tuas Palavras
Ao meu coração escravizadas
Para Reinardes Absoluta
Em meu mar de desesperanças cravadas com demora
Onde irei me banhar sempre as terças-feiras
Tu és minha Reluza, minhas trevas e minha infância - sonha ilusão irrealizada
Onde me irrealizo cada vez mais
Ilusão eu sou
Tu a Mantenedora de mim e de meu Ego
A Mantenedora de meu Não-Amor a Eternamente Amar
A Mantenedora de meu Não-Amor a Eternamente Amar
Você!

Eterno-Não-Amor Inquebrantável a vir banhar a praia com suas ondas
Constantes Contrantes e Previsíveis
Tal a Chuva que não virá - Deserto Certo de minha Alma!
Querida minha, paisagem minha)

E que Deus me livre de você
Desde o pôr do sol até o amanhecer
Que Deus me livre de você
Do pôr-do-sol até o amanhecer

II

A alguém que está a se banhar na Praia
E que não ama...

As ondas a cada instante te amam
E te chamam
Mas a tua indiferença te afunda no mar
Ainda que teu corpo não esteja submerso nele
E nem entre os meus braços
As ondas e meu coração se quebram a todo instante por você
A todo instante te amo
Óh! Amor inquebrantável
A chuva não virá
É apenas o Deserto de minha alma
Uma querida paisagem que me lembra de você
É onde me reclino
É onde morarei esperando
Poder algum dia dar todo o meu amor para você

III

Uma dança contra as areias do tempo não pode ser certo
A Tua Lei de dançarina vai deslizando e espalhando as leis
E depois de haver Dançado com o Mundo Inteiro
O que restará de mim se eu não seguir seus passos?
E não contemplar até a exaustão a perfeição da Lei da Dançarina
A Dançarina é minha Lei
E um jogo contra as Areias do Tempo é o que pedem minhas consciências
Tudo o que é necessário ser dito já foi dito dentro de mim
A Deusa fala enquanto meu coração canta a balada
Serei Bardo de mim mesmo
Fora de seus templos e fora de sua dança
Longe da contemplação eterna de ti
Sapateadora de Eternidades e Palavras
Nada te prende

Por isso serei Bardo de mim Mesmo
Cantarei a sua Balada
O coração que vai comigo também

Fora de Seus templos e fora de suas danças
Em contemplações de ti encontro eternas templas amares e infindas distâncias
Ainda encontrarei e serei encontros
Fora de Seus Templos e Fora de Sua Dança
E dentro de Ti
Em nada te prendi
Sapateastes toda as Distâncias

IV

A Deusa que gosta de ver seu amante no espelho
Em que outro lugar você consegue se ver?

A Deusa traída por um adorador devotado
Que se queda de joelhos para a Deusa adorada
E a eterna adoração a torna paralisada

Agora que não te moves mais, que hás de querer dos corações que não irão se abrir?
Quisestes os teus desejos e os teus desejos se realizaram
E depois de todos realizados esquecestes de pedir sacrifícios das almas esvaziadas
E estas almas são tão livres tais as obras que se dirigem aos nadas
E perdestes o rio e tempo onde se aprende
Que o desejado alcançado
Não devolve o desejo aprendido
Que as almas esvaziadas
Não se podem vender
E não se podem comprar
E nelas há espaço para levarem
As chaves que nestas é destinadas a estar

Assim... As chaves encontram o Destino
O vento leva...
O vento leva...
E nada fica
Para a porta que continuará a ser buscada

Chaves não abrem portas abandonadas
Chaves não abrem portas abandonadas

Tampouco templos e deidades eternizadas

Para todos os adoradores passados
Estes passam
E quem fica...
Com a Solidão Permanece
"Serás adorada por outrem
Serás adorada por outrem"
Minha eterna promessa
E eterna dívida

Mas vais
Tendes o eterno
E não o que se vai

V

Profetisa das Calamidades
Profetisa das Cidades
Protegei nossos clamores
Entre seus seios e entre seus amores

Aspirar...
As danças na cidade
E a companha do povo

A união de ventos alegres
Descobrem as almas assim entregues
Do velho amor celebrado novo

Core mio dá ainda outro vôos
Sábia resolução do coração
Buscar alturas e barganhar em teus braços pouso

Profetisa em Harmonia
Profetisa Sabedoria em quedosas melodias
Guarda o único e mais alto amor em parturentes dores
Por mim! Entre seus seios e entre seus amores

VI

Uma carta a Vênus
Uma carta A Deusa
Uma carta para seu reino
O outro planeta que passou a me reger

Pensamentos alterados
Sempre me vêem quando ascendes
Na governança de minha mente
Nesta Dança de você

Então dou uma carta a Vênus
Uma carta A Deusa
Uma carta ao Reino
Ao Reino que fica
Ao súdito que se vai
Nesta Dança de você

Não era para vir a adoração agora
Quando tudo que posso dar é meu tributo
Nem poderia vir o perdão, o amar e o dizer Adeus
No meu momento mais mudo
Mas A Deusa reivindica o Reino
Reivindica o súdito que se vai
E a recomeço da Dança

Ao coração que se vai
E a boca muda que não mais diz
E não escuta nenhum beijo
Juro que não mais escreverei algo d'amor
Prometo não mais me condenar a livre pena
Cessarei de dizer e gravar na terra
As palavras que me prendem
Para que a Deusa Amiga e Distante
Ao lançar suas Areias e o Meu Tempo
Possa me libertar de verdade
Pois só ouvirei suas palavras
E serei verdade

Uma verdade contra mim
Uma verdade contra mim

Então cesso
E no cessar libertar
Me despeço
Da mesma Deusa-Liberdade
Que me prende e me absolve
Sem cessar por tempo infindo
No tempo infindo ao qual dou um fim
Junto a mim
No abismo em que me lanço
Abraçado e abraçando...

Tu me ofereces a tua Mão
E em cada dedo conto a minha direção
Na tua mão que sela meu destino
Esboço algo como se fosse Escolha
E tu aprazível e satisfeita escuta
E lança seus prazeres de cicuta
Aos quais presto vou atender e tomar parte
Entre seus dedos os conhecidos abismos
Não me lembro por onde caí
Pois só acredito numa Queda
Fornecida primeira
E fornecida por último
Por você

A carta ficou com a Deusa
Todas as outras coisas caem
E tudo o que se destina a queda me faz companhia
Numa queda em teu abismo
Numa queda em impossível direção a você
Num sonho - A Deusa Ascendente
O adorador caído
Para adorar ainda numa outra vida
A carta que fica

Escute o meu juramento
Escute todos os movimentos
De minha Jornada
A ti Deusa querida tanto e Amada
A Ti as quais todas te pertencem
A Deusa - A Carta
A Reina e a Vênus

A Deusa - A Carta
A Reina e a Vênus

E o súdito que se vai

Quedam em mim os mandamentos
Cai teu espelho sobre mim
Desfazendo o adorador em pedaços
Diante do Espelho - A Testemunha e a Memória
Que esquece em prol do que está adiante
Que sempre está com o que está adiante

E o Testemunho permanece

VII - Na Sala de Jogos - (e Fora do Romance)

I

Uma Canção 'Proibida
És tu para mim
E ainda sopro a Sua Melodia
E a Luz que sai de teu Quarto
/Mimosa está entre Suas Dádivas)
É que ilumina a Meia-Noite
Amantes por Amor a Jogar
Celebram em Teu Nome
Também cantam a Música
E derrubam os Templos Restantes
Seguras o Meu Retrato em Tuas Mãos
A Tua Carta de Mim Contra Mim
E Ávida vem ao Jogo
Todos os Amantes lhe sorriem
Toda Sorte de Amor em Coro
Apenas eu Guardo o Sorriso
Em Meu Espírito
O Adeus
O Teu Retrato
Em Mãos

II

Todos jogam
Quer os que saibam, que os Inocentes
A Inocência é Jogar Fora
Quem presta atenção vai por si
Sem Escapatória

Os Salões da Vitória
A Ninguém Cumprimenta (Miragem!)
Sem hesitar condenam
Quem não lhe repara
Ardis em Tuas Tranças
Paraísos Eternos de Almas de Toda espécie
"Quem quer cair queda agora perante a côrte
 Aqui Brilha e reina a Verdade
 Quem quer audaciar o enamoro de outras sortes
 Um passo e apostas a frente
 Todos que queiram ser Afortunados
 Se ofereçam tais servos e adoradores da Fortuna
 Portanto, por Ela sejai então julgados
 Vence melhor quem a si mesmo condena"

III

Um Nada Acontece
A Cortina Sai de Tuas as Mãos
Eu não registro nada
Siga as Miragens do Deserto
Minha Amada
Sigo apenas as Miragens
Meu Amor

IV

Ah! Bem-vindas! Óh grandes Almas
O Espírito que Rege as Navegações
Vos há em Disposição
A Cada um - Um Nome e um Destino
É certo que ireis a uma Cidade
Que desconheceis por hora

V

Onde os Banquetes caem a Disposição
Sete Jardins - A Diva dos Jogos
e Lua dos Poetas... Tu ao Centro
Círculos de Solares - Enlaços de Jardins
As Mesas e as Taças Cheias
Se perdem na Imensidão Daqui
Horizontes - A Negra Floresta
E as Disputas por glórias: Tudo Sem Fim

VI

Confesse todos os Teus Desejos ao Amante que não é seu
Já preparei Ausência de Nomes, de Quartos e Leitos
E Teus Prazeres, Movimentos e Passeios
No Fim: Não será a Mim
Não será a mim

Suspiras e sabes n'alma que sou fácil a Teus Olhos
Difícil de Sair de Teu Corpo
Adentrar onde estás
Uma Pausa para Pensar
Teus Lábios de várias cores
Tomadas a Força dos Dias-Noites-
De Tua Solidão-Sedução e do Ambiente de Flores - Venenos dos Perfumes Mais Frescos
Tu me perfumas e logo obedeço
A Tua Maldade
Teu Semblante com Intenções de Mal
Sem Disfarçar / Pronta para Matar e outras obras
Os Mistérios te antecedem
A Fama é apenas Fama
Já que Diabólica - Teu Nome Femina
Lança Boatos a Irrelevância
Enqüanto as carnais mentes ardem com tuas chamas

Afinal - ponho tudo a perder Para te tocar toda
Vou Delirar antes as Cinco Luas e as Tuas Infindas faces
E então perante as glórias do Prazer
A Desafiar todas as juras com ganas de esquecer
Um ter que ir é cravado em minha alma Nauta / E vou

"Nada dura para sempre a não Ser que tudo muda sempre"

O Sonho do Sol

A maior malécia de cruzar o deserto não é as luzes esquecidas das estrelas
As tribulações apontadas por elas
É não poder olhar para o sol...

- O sonho do Sol começa
em adoração ao Sol que sonhou primeiro
E muitas vezes
A Terra Filha e as outras irmãs também adoram
Ao Sol e seu tão grande sonho
Que o trouxe para haver-nos
Dentre tantos outros sonhos que o Universo poderia haver tido
Somos sonhos que foram buscados
Somos sonhos para se haver
Somos sonhos eternos
E desde eternidade passamos a ser
Passamos e passamos
Até eternidade
Passeantes de mundos entre portões da eternidade
Passamos a ser
Passemos a ser

Neste sonho de sol que passei a ser
E neste sonho de sol que passei a adentrar
Sonho de sol que sonhei - Profundo!
Vi-me em teus braços de repente

Eu sinto sua falta tal a terra sente saudades da chuva.
Saudades de tudo aquilo que poderá florescer em seu amor.
É deserto, apenas porque não chove.
É deserta, apenas porque não chove.
E apenas porque não: Eu deserto

A Noite no Deserto

O Lugar Algum em que me vou / Tal deserto ou milagre que me arremessa / Ora nas areias de América, hora nas areias de China
Reencontra-me com que sou
Vejo você por obra de fogo a trazer luz e visão

- A Noite em um grão de areia!

Contraste bonito... e as palavras que caminharam em teus templos me vêem
A Luz Solar no Infinito
Palácio de areia e teus laços em comunhão / Em Dança
Tudo promete Azura - Eu sinto
Eu acredito
Em tua infinitude... Em tua imensidão

- Deixe me desvanecer na imanência - Deixe a procura no labirinto viver
- Se ante a eloquência da verdá - Está em estar e não em ser

Para finalizar
E encerrar a última porta
Ecoa em meu peito
No momento mais maldito
Inaudito na Inocência vinda do espírito
Tal dito

"Vi sua alma crescer nos desejos das areias paralisadas
 Fora do tempo e fora do Ritmo
 Ainda dentro do Intervalo: A Música cresce
 A Beleza fora do que é chamado bonito
 Som fora do alcance dos ouvidos
 Você fora de meu alcance
 Então que dance... Dance eternamente
 Perante as paisagens desta Noite a caminhar no Deserto
 Dance e não perca a última chance
 Para te abençoar a terça, a sétima e a décima
 A terça, a sétima e a décima
 A contemplação eterna e o contemplador que passa
 Te abençoam
 Passar bem é necessário
 Para poder ouvir de outras vozes
 Boa viagem! Boa Viagem!
 Que apenas nos votos a quem se vai se ouve as palavras de Verdade
 Que apenas nas despedidas que se ouve palavras de libertação
 Que apenas nas Danças se vê a Face Amiga do Amor
 E vai a Entidade da Beleza para uma outra paisagem
 Para a Infinda Amizade - Diversa
 Na Imensidão das Templas Amares - Milhares - Se Unir
 E nunca mais deixar de ir
 E nunca mais deixar de ir"

Sua alma grande tal a Ásia
Nestes ventos noturnos eu observo
Nestes dou o abraço, o último abraço real que poderia te ofertar
Velejo pelo Oceano de uma Terra que acusa ser minha
E faço por Ti - Estandarte por Ti
Mares por Ti - Tempestades por Ti

E ao olhar pela última vez a última face amiga do Deserto
A última vez que olho sem medo e sem temor de desejar e ofertar carinho
A sua face sempre amiga
Eu sinto... Eu sinto
Tu me entregas a chave
Em teu vestido escarlate
Que faz o destarte das infinitas navegações
A comunhão me apodero de todos os que navegam mares
E em imensa gratidão do gesto e presente-liberdade que oferecestes a mim
Eu navego em gratidão a Ti
Faço viagens milhares em gratidão a TI
Mares a Ti - Tempestades a Ti
Por mim... Por mim...

I

Abra o Livro das Decepções
E Jamais o torne a fechar
Pois é o único livro que permanecerá ao Seu Lado.

Livro das Decepções

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

(...)

Ás vezes senti-me ora (...) de (...), ora (...)

de ser (...)... Questão de Linguagem?

(...)

- Que hás logrado da fé?

- Pela fé recebo a cruz que outrora recebera

Raskólnikov através das mãos delicadas de

Sônia.

A Madrugada

A madruga alcança seu apogeu, a insônia vai aos

limites e sou dos que vêem nisso uma espécie de

transcendência, todos os esforços recaem por

serem em vão e por teimosia do espírito humano

isso ainda consegue ser surpreendente. A

madruga continuará, os corações não, a busca

pelas respostas foram apenas acréscimo a luz da

lua para alimentar aquela transcendência que já

falamos a respeito, as perguntas continuarão a

triunfar sobre os rivais a serem atirados para

elas, finda agora o surpreendente. Depois de

muito tempo passado (isso menos por força do

tempo do que da conveniência) ouvi contos de

almas que diziam-se abençoadas através do

desamparo contínuo da Madrugada e a vitória sem

par das Donzelas Triunfantes a quem iremos nos

referir ainda vezes milhares. Depois disso nada

mais farei... Juntar-me-ei a estas almas... Até

ser todas elas... Não mais estarei

desamparado, serei o desamparo, jamais ficarei

sem respostas, quedarei morto ante aos pés das

Donzelas Triunfantes.

A Carta

Visto a carta desejada não haver sido escrita, ("Não houve", "Não houve", choram as algas dos sempre-caídos, cânticos para os aspirantes à queda final) foi mister que eu fosse entregue aos braços da deseternidade até o nunca. Afogado até o último abismo que há dentre todos os mares, até que aprendesse a suspirar um amor e somente um amor o qual pudesse ser confessado. E estes braços da deseternidade, que antes envolviam meu coração e que agora por força de aprender o ofício seguram-me firmes pelas mãos, lá garantirão que eu permaneça sem desviar desta lei, apenas por redenção de algo maior que estas leis e forças por ser este algo maior que forças e leis sem limitar-se a ser estas mesmas. E se não aprender ao menos, este algo afogado desconhecido e insuspirável até as fundações, será agraciado de estar no templo dos abismos, pois ninguém melhor que os abismos para serem mestres das lições não aprendidas... E as lições nunca serão aprendidas e nunca foram... É tempo de dizer a verdade... Se o abismo foi alcançado e os braços da deseternidade assim operam é melhor suspirar apenas a esperança... Óh! Maravilha! Óh! Maravilha! Inalcançável Sabedoria! Audácias dos não saberes, erguer o túmulo do tolo onde se vai adiante para o Entendimento...

"Apenas uma vez e não mais! É melhor!".

Diz a salvação...

A Fé Primeira

A Fé Primeira... É disto que falo a você a Viajante... Você estará no Encontro...

A Única coisa que se sabia é que esta vereda estava perpassada de Fim... Caminhavas e dispensava a atenção... Chegou onde quis chegar. E chegou... Quis ainda lamentar todo o Fim Manifesto em seus passos... Lições de contentamento nunca aprazem, desde que se adentra o culto a vida e se esquece desta nos adornos ofertados...

Dispensava a atenção...

Portanto chega o momento do concerto: A contradança que permanece depois que se lembra da dança e uma visão... Um horizonte assustador de tão desejado.

Mas falava eu da Fé Primeira... Não passarás sem o que te é devido... O Caminhar-obrar e pôr fim ao Fim não é caminho de trevas... Ainda que sejas um caminhante noturno, aqui finda o teu vôo.

(...)

Lutou com o Destino e saiu com a vitória.
Com o Destino tal a Face, Com o Destino tal o olhar...
E assim é.

Encontro... Nostro.

Dizem que não há nada por acaso, por que haveria de haver? Por que? Por que?
Dizem que haveremos de encontrar o que procuramos e merecemos. As sementes nos passam para trás na nossa colheita, nós somos apenas o passeio. Por que haveremos de possuir estas e por que haveremos de pensar que a terra é por nós? Por que? Por que?

Colha o dia, ao perguntares, óh espíritos inquisitores.
Nada haverá de ser
A não ser, uma falsa poesia.
Tu que não diria nada
Sorria nada. É o amanhecer do dia.
Aurora negada, hino de tolice.
Nós somos a Passagem e não passaremos
Aceitaremos tudo num abraço
Não questionaremos, mas pensaremos que sim.
Brinde o céu com alegria.
Passará da mesma forma que eu.
Acredito! E nada poderia ser mais ridículo.
A não ser a falsa poesia... Quem diria?
Nada dirá.
Eis ser da razão ao chegar:
Por que? Por que? Por que? Por que?

As Mãos

Redenveramente extende as mãos... Alcançam-se uma nível ou outro arranjo para contar as almas e espalhar as suas voltas. Eu entendo seguidamente que a Marca, a grande Máscara, ou simplesmente a Origem Comum encontra-se ao fim, para consolo de todos aqueles que são séculos após séculos fraternidades de descorpos fora da praça pública. Nunca foi tão importante nos tempos de hoj-e perceber que o conhecimento que recebemos com tanto zelo e esforço é verdadeiro e confiável. E perceber que ainda mais necessário é ter estes testemunhos de veredas de sabidorias tal a medida da ignorância, bênção de todos, mas não madura ao ponto de dizermos: Nossa!

Os Estandartes destas coisas nossas inalcançáveis vão acima de nós a flutuar...

A todos aqueles que entreguei ao Nunca Mais

A todos aqueles que entreguei ao Nunca Mais. Eis que vos entrego agora a Madruga. Na Madrugada saio pela noite e entre um Céu verdadeiramente Azul e Nós, nos encontramos e nos reconciliamos...

- Eia! Boas novas?

- É Nunca Mais para mim também!

Um sorriso à Final e me entrego...

O Amor está perdido para sempre

O Amor está perdido para sempre
E os Amantes são Eternos
Olá e Adeus estes Tiranos do Tempo
São os remanescentes mistérios
E nestes permanecemos
Porque do que se perdeu Primeiro
Não' há saída para Ninguém
E Diante disso fazemos' nossa Roda
Querida Amada! Querida Amada!
Por que esse Amor de Danação?
Ora é este Desencontro... Maestrias do 'Lamento
Ora é este Tempo
Que escapa para o Jardim sem Flores
E depois as flores escapam dos jardins
Querida! Querida! Que faremos de nossas vidas?
Há dias que não sabemos tal é o comportar verdadeiro
Perante essas flores fugidias
Além! Resta saber! Que será deste Tempo Solitário?
Quais os Destinos a cair em nome de nossas mãos
Repletas de Ânsias de unirem
Bonanças de Sonhos a jejuarem em comunhão
Repletas inda de Vento... De Saciamento... Enlevamento
De Vazios tão grandes! Ahr! Quão pétalas há mais nestes!
A nos enganar! A nos unir... E a soprar contra nós co'a Fúria

Convencerá a nos perder sem testemunhas?

Nada dirá disto
Tudo ocultará
E somos os Guardiões do Segredo
Que queremos tanto saber

Virão as Graças sobre Ti

Virão as graças sobre ti ainda
Do fogo irretribuível a queimar eternamente
Que destes a mim.

Se não caísse o mistério de tuas mãos
E se não me precipitasse dessas adoradas
Tal a chuva, tal a terra
Não se ouviria estas prestas de músicas
Estes tributos de se fazer mais e mais adorada
Contra os céus a se vestirem em escarlatas
E tu musa nua vestida das cordas mais santas
A esperarem tua força e beleza de mulher

Virão as graças sobre ti.
Sinta os abraços, minhas mensagens últimas.
Meus passos mais além, perto do que inspira a ti
Mais horizontes de teus caminhos
O fogo irretribuível a queimar eternidades minhas
A queimar a mim
Por uma adoração irrevogável

Na Peregrinação da Noite

Meus devaneios partiram para onde serão prontamente banhados pelo Sol
E Este por si corre tal Rio na forma de Tempo por amor
O Caminho é Longo, o Sol são Sóis
Não haverá retorno, não para eles...

Para todos que se sentiram amados na Travessia
É necessário voltar e dizer adeus a cada um deles
Isso é ir...

É necessário caminhar
Se todos estiverem confundidos
Não estarão sozinhos se assim amarem...

Vou agora, o adeus já foi dito
Sonhar com o Caminho imerso neste
E o que se seguirá não me pertence
Nem mesmo o ir, nem mesmo o Hoje
Nascido para se colher
Nem mesmo tudo o que plantei
Já renunciei tudo

Eu vou, tudo fiz para não ser mais
Que um peregrino

Já é noite e as nuvens é que dominam o estrado celeste
Estou a tudo pertencente e atento
Apenas por agora, apenas por agora
Sou As Nuvens a caminhar
Sem admitir nada mais que um céu pelo qual eu possa andar
E Ventos para que eu me ilumine
Reluzente e ocultado
Na Peregrinação da Noite