domingo, 28 de agosto de 2016

A Humanidade

Eis aqui tudo o que você precisa saber:
- A Humanidade não precisa de você.
Todas as bênçãos e todas as maldições
Caem em seu seio como redundâncias

Pétalas leves pelo caminho
Idéias insignificantes para serem pesadas
Mais que a estrada que leva para o Nada
A Totalidade de Seres feitos de Nada
Que no Nada não chegarão - Não há Paraíso!
Ficarão perdidos no caminho
Numa areia movediça no infinito
Com os passos paralisados ao redor de tudo
Tudo tendo sem o direito de perder
Que é para perecer na asfixia de excessivamente ser

Se queres um otimismo
Ou se queres um pessimismo
A Humanidade é adorada do mesmo jeito
E enviará para o sacrifício gentes alegres e tolos seríssimos da mesma forma
Por isso meu otimismo é rir dos que dizem que a vida é uma causa perdida
Quando houve uma causa ganha? Óh Grandes Mestres Iluminados da Desgraça?
A Desgraça ocorre sem o vosso tão importante Aviso
E é cantada pelo meu Riso!

Ah! Se podeis negar a Divindade das antigas idéias sagradas
Não podeis negar que seja deificada a idéia de todos os entes humanos
Numa forma tão abstrata
Que podeis rezar de braços cruzados: - Ah! A Humanidade!
- Quem assim seja para que não sejamos nós: Nós.

Para mim e Para Ti
Para estas pessoas, para nós - o povo
Todos os paras estão paralisados
Todos os paras são maneiras diferentes de se perceber só

Sejamos culpados desta nova Noética Arca
Que já se dirige
A Humanidade é mais do que todos os humanos
A Humanidade não precisa de humanos
A Humanidade já se foi para Além-Mundo
Dos Crentes contadores de Idéias-Segundo
Sempre no Segundo Mundo longe do primeiro e longe do final
Assim meio-humanos de vidas nenhumas
Seguiremos seguros e abstratos
Fora da Humanidade: A Salvação

II - Canto Final:

Há Salvação
Na porta que se fechou
E trancou eternamente do Outro Lado
A Pergunta

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Eu queria escrever Poesia

I - Para Crianças

Eu queria que os brincalhões passos
De uma Pessoa Hilária e Dançante sobre o piano
Pudesse chegar em sons e abraços até as Crianças

Eu queria que as Crianças assim despertassem todas as manhãs
E adormecessem a hora que elas quisessem
Quando o sonho... Ah só o sonho
Lhes levassem - Colocassem elas para dormir
E tirassem elas do sono para poder brincar
Para que todos nós pudéssemos enfim trabalhar
Levando o sonho das crianças a sério
Porque é preciso ser sério
Quando as crianças tocam em nosso peito
E nos convida a falar de amor
A agir de amor

Eu queria escrever poesia
Todos os dias
Que eu pudesse ser uma pessoa séria
Que olha para os olhos das crianças
Sério
Com amor
Com vontade de fazer uma obra
Que as inspire
A continuar no sonho
E eu continuar como se estivesse no sonho delas
Ah! Como eu queria escrever poesia

II - Para a Humanidade

Queria acordar girando e brincando
Com ganas de ver o sol
Não ver o sol porque me dá esperança
Ver o sol porque me dá calor

Um céu azul para que eu possa olhar
E nada mais que isso

Sim, sim!
Eu quero acordar um dia
E sentir a natureza
Fazer um esforço para que eu me limpe
De toda impureza metafísica

Eu quero toda a pureza da natureza
Sem ver criação, obra de Divindade, nem nada
Eu quero só sentir
Calor, luz
E eu quero me sentir amado com isso
Eu quero - Eu quero dizer para meu corpo
Sinta-se amado
Faça-se amor

Se eu pudesse eu escreveria uma poesia também
Diante disso
Para que eu pudesse registrar enfim
O que tem que ser registrado
Então eu mandaria cartas
Cartas de fraternidade a toda a humanidade
Com o que eu escrevesse eu iria mandar uma carta para cada uma e cada um
Declarando a minha fraternidade
E o meu compromisso
Com a Poesia
Com a Poesia Maior
E prometendo a cada pessoa que comunga da mesma humanidade que eu:
"Eu estou contigo
Eu te chamo de minha irmã e de meu irmão
Eu estou contigo
Eu quero a Verdade
Eu luto pela Beleza na Vida
Eu tenho o Bem como Tijolo de obra para toda construção

Eu estou aqui
Eu vivo
Eu quero saber como é estar aí
Como é a Beleza em teus olhos?
Como vai a Beleza em teus olhos?
Você me escreveria uma poesia de volta?
Responda a minha carta"

Eu tenho o amor de toda a humanidade
Porque meu corpo viu a luz e apenas isto
Apenas isto...

Meus olhos viram a luz
Minha pele sentiu o calor
Isso é amor
Eu sei que isso é amor
Meu corpo está banhado em amor

Ah...
Se eu escrevesse poesia
Eu iria mandar só cartas assim
Por toda minha vida

Mas por eu não poder mandar, porque me falta os versos
Eu mando o que tenho
Declaro minha fraternidade a humanidade inteira
Por todos os encontros que eu tiver em minha vida

Ah! Mas...
Ah! Se eu... O amor correr em mim...
Ah! Se eu escrevesse poesia

III - Para Amantes

Medo
Medo não é palavra que eu gostaria de dizer
Porque eu queria dizer algo para Amantes
Bem que eu queria escrever um poema de amor

Mas há de ser isto mesmo
Amantes!
Tenham medo!
Tenham medo do amor
Tenham medo do que o amor pode fazer
Porque o amor há de pegar a mediocridade de vocês e estilhaçar
Há de pegar todos, todos vocês que são narcisos
Todos vocês que são barganhadores
E deixar vocês miseráveis
Ou cheio de riquezas que vocês não dão conta de assumir

Pois bem
É isso
Tenham medo
Tenham medo
O amor há de vos perseguir
Há de vos destruir
Sim, sim!
Todas as vossas máscaras
Todas as vossas caras limpas
Tudo isso o amor há de pegar
E mudar de lugar
Tenham medo do amor
Saiam correndo
Saiam em disparada enquanto é tempo

O amor não tem hora para chegar
Não tem hora para voltar
Então eu sugiro que...
Façam o que for preciso
Mas...
Não amem de forma medíocre.

Se for para pegar o amor
Agarrem com toda a força
Se for para largar o amor
Larguem com toda a força
Mas nada de mediocridade.

Se vocês querem menos do amor
Chamem isso de outras coisas
Não chamem de amor não
Ao menos não sejam mentirosos com o amor
Sejam mentirosos com aquilo que se pode mentir
Sejam hipócritas diante de si mesmos
Até isso seria mais verdadeiro do que dizer:
"Ah o amor não existe
Ah! Eu não amo
E não amarei ninguém
Ai lá lá lá"

Isso não é nem ridículo
Quem dera pessoas medíocres deste tipo, que dizem tais coisas
Pudessem ser ridículos como eu sou...

Ridículo

Não, não...
- Não!
Podem me chamar de um grande louco
De um grande sábio, de um grande alguma coisa
Que me torne razão da excomunhão do bom senso
Mas...
Não, não
Não aceito me chamar de medíocre
Eu sou ridículo

Eu quero escrever poesia a todas as pessoas que amam

Todas as pessoas que amam riem da minha pretensão
Eu sou muito pretensioso eu sei
E as pessoas que amam
São mais pretensiosas que eu

Eu gostaria apenas de escrever
Um poema de amor
Mas eu não sei
Eu não sei escrever...
Mas é tanta coisa que eu gostaria de dizer do amor
Mas eu não vou dizer
Vou calar aqui tudo o que eu gostaria de dizer do amor
Tudo aquilo que eu gostaria de ensinar a Amantes
Com tragédias, com vitórias, com finais felizes
Não, não...
Eu vou me calar diante do amor
Porque eu tenho medo

Diante do meu medo que eu confesso
Nada mais posso fazer
A não ser amar
A não ser pegar meu coração
E levar ele para o mais-ainda-além da fronteira do ridículo
Pegar a minha mediocridade
Pegar o meu narcisismo
E a minha barganha eterna
E quebrar, quebrar, quebrar no Templo do Amor!
Quebrar a minha cara
Apanhar do amor
Tentar inclusive agredir o amor

Poder ser tão ridículo
Tão ridículo
Agressivo
Inofensivo
Que eu vou dizer ao meu coração:
Vá coração - Tolo!
Vá meu coração
Grande idiota
Vá acreditando no impossível
Vá acreditando que existe um amor ainda oculto
Que ainda não se manifestou, mas que se manifestará no tempo apropriado
Vá coração insistindo onde não existe o que insistir mais
Vá coração não desistindo quando a desistência já foi autorizada
Vá coração acreditando que no tudo existe o nada
E que do nada
Há de aparecer o amor como uma criação!

Ah! Vá coração
Ser tão ridículo
Fazer coisas tão erradas
Amar de forma tão errada
Para que eu possa ficar aqui atrás de ti
Anotando sabedoria
E aprendendo de todos os seus erros

Vá! Vá a frente
Dando a cara a tapa
Acumulando de troféus de ridículo e de escárnio

Vá coração meu escarnecendo
Brincando com orgulhos
Deixando com que brinquem com o seu
Sendo brincadeira
Despertando iras sérias

Vá coração meu
Vai, Vai tropeçar
Vai tropeçar e achar que é equilibrista

Vá pela estrada
Vá! Desapareça!
Deixando todas as pistas


Que eu estou aqui
Atrás de você engrandecendo o meu entendimento
Eu quero ser ridículo ao ponto de ter todo este entendimento
Na observação completa
De meu coração
Até que eu sinta o ridículo de tal forma
Que eu não queira mais ficar atrás do meu coração indo a frente
Até que eu possa me unir ao meu coração
E fazer tudo diferente
Tudo, tudo diferente
Apenas por sentir
O que eu tenho para sentir

Eu já não me importo com mais nada
Eu não me preocupo com aquilo que eu não tenho que me preocupar
Eu sei amar quando eu sinto o amor
Eu estou pronto quando eu estendo as minhas mãos
O amor não é sabedoria final
O amor só é além da minha sabedoria
O amor está um passo a frente do meu entendimento
Eu quero entender
Amar e ser amado
Depois de tudo aquilo que eu fiz as outras pessoas
Tudo aquilo que me fizeram
Tudo aquilo que me colocou digno demais ou indigno demais de amar
Eu quero dar
Um passo a frente

E um passo a frente
Com esta certeza: Ciência do amor
Eu me dispenso de querer escrever qualquer poesia
Diante do que eu sinto

***

Agradecimentos a Inês Carlésio

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Hino ao Tempo

Como um Deus esquecido pelo ato de Criar por um Povo
E por outro ser o Deus celebrado pelo mesmo motivo
Eu fico em silêncio diante do meu pranto e do meu riso
Preparo-me para o Fim diante do velho e do novo

Eu não me renovo com cantigas alegres
E nem com cantigas de um amanhã triste - Prenhe de promessas
Eu estou farto de mensagens do Amanhã
Não te esperarei e não esperarei ninguém
Nem a mim: Ninguém de Pessoa Nenhuma
Tampouco quando eu for a Pessoa Nenhuma de Todos
Estamos todos Sanos e estamos todos Loucos
Estamos sem gente suficiente na insuportável Multidão
Estamos prontos para o desembarque na Festa
Onde celebraremos o fim de cada um com a Prontidão
Havendo esta de nos buscar ou ser encontrada

- Nada! Não nos resta Nada! Há muito tempo que Nada nos sobra
E é copiosamente adorada!

Aqui estamos
Aqui somos
E a que ponto chegamos

Eu sei que quando souber
De onde vim até agora em diante
Saberei do meu tarde demais
Do que for de mais me livrarei
Me atarei ao agora de meu entardecer
Adormecer superará qualquer despertar

Portanto
Aceito o Tempo
Dou-lhe o Hino
Que se vá este agora
Já estou indo
E quando tudo não for mais que agora que sempre tive
Me lembrarei apenas do Tempo
Esquecerei os momentos e as gentes
Perdoarei da mesma forma quem me deixou triste e quem me viu alegre
Cantarei o meu Hino

O Tempo está se tornando em Mim
E quem há de saber?
Quando este há de ser um amigo
E não apenas um fim?

Quem há de saber?
Que o Tempo pode dar as minhas Manhãs
O Sabor que elas sempre tiveram
Quando eu não estava lá para saborear
Quando eu-não estava lá para saber

"O Tempo não espera"
"O Tempo se apressa"
Mentiras! Fartas Mentiras!
Para todas esperas e pressas desonestas!

O Tempo
Continua fazendo o Rio Fluir
O tempo continua em Mim
Para Manifestação do que sou
E ainda me dá tempo
Para julgar o que sou
Em Juízo Infinito até o Final

Eu cantarei
Eu canto
E não me lembro da última vez que cantei
E se foi pranto ou se foi tanto para que eu não pudesse nomear

Para Sempre
Para Nada
Para Tudo em Fim
Na Madrugada
Ao Tempo
Que Nunca Mais sonhara
Eu ergo-me lento
Eu ergo-me completamente
Sem refrear minha boca de dizer meus silêncios
E inundar meu rio de mágoas
Estas passarão
Eu não passarei
Simplesmente porque não sei o Passar
Se conheço o Tempo para dizer se é travessia ou não
Não arrogo, não rogo e não creio
Eu senti muito esta tarde
Eu senti muito quando deixei as pessoas
Para senti-las em Solidão
Solidão Eterna igual ao Mar
Esta sim
Passará
Eu não
Eu não sei
Eu não sei
Que Nada é Eterno
Que Eternidade é Nada
Nada Mais no Mar
Há de encontrar o Tempo?
Ela não foi encontrada
E nunca será
Ela será manifestada
Seremos manifestados
Pelo Tempo
Quando este canta o seu Hino
Somos Todos Manifestação
De Seu Oculto
Que seja Fim Então
Toda Obra de esconder-se
Com as horas contadas
Da Música Imanifesta
Da Realização de Tudo
Para Sempre Tudo
Universo batendo igual ao meu coração
Outros Universos serão
O meu Coração não sei
Saiba o Tempo
Eu não sei...
Eu não sei...
Como acaba
O que comecei
O Tempo, O Tempo
Que valsa lento
Na Infinda Estrada
de toda Velocidade

Eu não serei relógio
Eu serei um Hino
O Tempo não sabe o que se espera que este saiba
O Tempo há de ter mais o que fazer
Do que somente Ler
Todos os seres
Todas as Coisas
Que este tem para Escrever

O Último Vôo do Corvo sobre o Deserto

Meu Amor
Meu Mais Doce Amor
Não darei a Ti
Porque tu és minha mais Doce Morte
E eu sou ainda...
Algo que sopra para ti
A Melodia da Despedida

Em outros braços de Morte
Eu me dou
Porque pertenço a Natureza
E tu a Divinalisar-se

Em outros braços de Amor
Nós nos Encontramos
Criando a Distância
Com que nos bendizemos

Mas venha
Venha assim mesmo
Venha escutar esta canção
Que o - Nunca Mais!
Não pode mais esperar
Não percas mais por esperar
Hás muito o que ganhar com esta partida
Não planejada, mas sonhada
Pelas mãos que estão acima das coisas deste mundo
Mãos sobre a mesa de jogos
Compartilhando o Destino
Lutando para saber quem fará mais do igual quinhão
"Onde há mais Desejo
Há mais Serpente" Tu dizes
"Onde há mais Serpentes
Há mais Frutos e Jardins Abandonados" Concordo.

---

I

Que seja anunciada
Quantas vezes necessária
A Indiferença
A Dama Indiferença quer entrar
E quer ser aplaudida
No Oásis de meu Deserto
Seja pois Bem Vinda
Fique a vontade
De não sentir Nada
O Amor aqui é para ser renegado
E o Corvo que a tudo observa
Sem tudo ver
É também adorado com obras de negação
Interessado no que há de ter fim
Eis aí a razão de ser Alado
Sem carecer de tua Verdade
Para ser libertado
Liberdade ao Corvo
É um presente
Que nunca pode ser dado
Assim como a Dama Indiferença
Se dá a si
Com a diferença
Que este Corvo não se anuncia
Apenas vem
Para partir

II

Nada quero de ti
Que não seja a Renegação
A Indiferença não me dê
Já a busquei em teu doce leito
Teu nada sentir
Sinto muito
Teu não amar
Já amei para sempre
E agora
Amo - Nunca Mais

III

Eu sou um Canto Maldito
Melodia que tem nos Lábios
Para anunciar as gentes
Para praguejar contras as Malécias do Amor
Até o Ponto que me fazes o Deus do Ridículo
Agradeço o poder de me fazer divino
Mas prefiro voar
Com o poder das tuas maldições a me embalar
Na Música cada vez mais além

Em Teus Lábios não pousarei mais
Quero Mais
Voar cada vez mais Além
Até o Sorriso do Céu
Mostrar-me a direção
Para Celebração de outros fins
Lembro-me de ti assim
Esqueço e enfim desvaneço
A Canção do Vôo - Finalmente!
A Transcendência do Vôo da Alada Criatura Noturna

E Tu! Tu! Abaixo a me encorajar: - Nunca Mais!

IV

Não e Nunca!
Se fazendo Divindades de cada uma de minhas asas
Tu! Tu! Te apresentas como Divindade em meu olhar
Na Estrada que eu contemplo
Eu posso fechar os meus olhos
Eu posso bater as minhas asas
Eu posso e vou
- Nunca Mais!

V

Tu inspiras as artes
Eu recebo tuas ventanias e vou
Se queres ouvir a Música
Parto em lugares altos
Ouso diante das águas
E também queres a Poesia...
Eu ta dou.
Deixe-me que eu seja perto
Cada vez mais perto
Da distância de teu Seio
E enfim
Pousarei sobre o teu livro favorito
E ante os ossos de teu poeta favorito
Abro meu coração e o Amor a te querer mais
Abre-me o Grito: - NUNCA MAIS!

VI

Amantes Finais
Amantes Totais
Celebração a Ti
Todo o Amor a Ti
Brindam e se embriagam
De - Nunca Mais!
Por Ti! Por Ti!
E em mim
O Silêncio
Que celebra mais

Sou eu um amante?
Sou eu um Corvo
Eu sei de meu ofício nesta festa
Mas se calo-me ao ponto
Da contemplação desta desolação alegradas
Com estas criaturas por teu nome
Nada posso fazer
E é Tu que fazes
Em Teu Brinde que convida a todos
Até a mim para que fique de longe
Tu dizes:

- Ao Amor
A Mim
A Cada um de Vós
Em cada momento a Sós
Por Mim
Em cada ofício do Tempo
Em cada lamento no Templo
Que ainda não se saciou ao ponto
De Trazer a Terra a Lascívia em Pessoa

Mas ante a Fera que não se sacia
E com quem disputamos insana porfia
Vamos deitar vinhos ao nosso nome na Eternidade
Porque eis que nossa Ascensão
É obra de nossa intenção
Erguei então vossas taças
Por hora dai este erguer as vossas mãos
É fim do silêncio
(Escuto e eis que tu e eu dizemos): - Nunca Mais!

SETE

Um vôo sobre a asa de um Corvo no Deserto
O que tu não sonhaste eu te faço ver
E o que tu não quiseste dizer eu te faço crer
É dia de tu arrancares teu olhar da Cidade
E pousar aqui muito além do Espelho
As Areias do Deserto que dançam por Ti
Muito Além da Madrugada
Muito além do Tempo a querer dançar contigo
Verdadeiramente Deidade Indiferente a Tua Indiferença que faz Ventanias e Boatos nas Bocas dos Povos
Como A Loucura de um Poeta a Receber Teus Beijos nas Distâncias
E tuas risadas na cara e na carne
Tu Dama que és Indiferente
Adoras o Deus do Ridículo
Quando ris e obrigas as gentes ao teu Riso
Não mais
Agora queres que o Corvo te leve
Para o Deserto que te comove
O Deserto que te leito
De todas as cartas
Que não leio de ti
Em segredo de saber

Faço-te saber
Cada vez mais
Das nuances e melancolias
Verdadeiramente requeridas por ti
Para que seja nomeado: Amor
Verdadeiramente requeiro de ti
Requeiro ver tua Alma
Se abrir com o que me traz a Fortuna
E o Tempo que não descobri
Requeiro que digas da Natureza de Teu Amor
E faço revelar que na Divindade Mesma
Há de ter Natureza

E se não choverá jamais
Aqui que se faça espelho
Vou me ajoelhar a tua indiferença
Vou adorar-te agora: Tanto faz
Porque de agora e sempre
Minha Adoração com Tua Face é: - Nunca Mais!

Eis me aqui
Tenho a Fé que me entregaste para te guiar
Tenho o Teu Desejo Cristalino, Cristais de Areias
Para me Cegar na Colheita
Pois me entregarei a Escuridão
Renegarei o que de ti vem com prontidão
De se fazer Distante Promessa ou Agora de um Verão
Pois daqui não partirei em vôo
Porque cantarei o que de ti somente é canção
Perseverar nesta verdadeira Romaria
Até que eu seja a Derradeira Miragem
De teu - Nunca Mais

(Câmera Iluminada
Pois as Trevas aqui ficarão registradas
Dou-te o que me dou
Dou-te o que sou
Enquanto sou por ti
A serviço de teu nome
Na luta com tua justiça
Sim, sim...
É por ti que só acordo de um Silêncio Eterno
Para deitar-te meu Canto
Ouça-me Agora
Ouça-te em mim para sempre
Eis me Aqui
A Tua Eternidade
A Divindade de Teu Inquebrantável Espelho
A Tua Oração a te Surpreender quando pedistes sem Fé
A Tua Maldição quando fizestes um Mal Sem Inocência
Eis me aqui
Se me queres totalmente
Ou não queres o absolutamente desta questão
Arranca de mim este Coração
Toma para ti este Amor
Porque o que me corta sangrando-me teu nome
Abre-me a Visão
Venha cá e veja a ti): - Nunca mais...