Poeta do Futuro: Porra! Eu que escrevi isso? Eu tenho que ir de volta ao passado conversar com esse cara!
Poeta do Passado: Puta que pariu! Puta que pariu!
- Calma cara!
- Porra! Quem é você? Você me é familiar...
- Eu sou o eu do futuro.
- Com certeza. Então eu sou maluco mesmo. E pior do que eu tô vivendo agora é você.
- Como assim?
- Está escrito na sua cara que eu não larguei o buteco.
- (...)
- Pelo lado bom, eu ganhei a loteria da aposentadoria.
- Não sou de um futuro tão distante assim.
- Não? Deixa pra lá...
- É melhor deixar mesmo cara! Eu vim aqui pra te ajudar, então para de gracinha!
- É mesmo? Me ajudar em quê?
- Cê escrevendo poema de sofrência cara!
- E daí? Tá no inferno, faz poema...
- Dá pra fazer poema sem ir pro inferno.
- Claro... É o que você diz nos A.A?
- Dá um tempo cara! Mas que cara ingrato você é! Se eu ficar tentando conversar com Vossa Simpatia eu que vou precisar de ajuda.
- Se você vem do futuro para conversar com um cara no meio da escrita de um poema, talvez...
- Que saco!
- Como posso te ajudar?
- (...)
-...
- Veja cara. Poesia não é terapia. Você tentar racionalizar a lucidez e lucidezificar a loucura, não vai te salvar.
- E quem disse que eu quero ser salvo, quero só escrever um poeminha aí, valeu?
- Meu Deus! Como você é fanático! Ta aí explicado porque quer ser inteligentinho e fazer uns lance blasfemos para tentar dar ideia nas fãs do Burzum!
- Agora você tá me irritando cara!
- Finalmente! Porque estava cansado de ficar irritado sozinho!
- Cara! Por que você não vai embora? Deixa eu terminar essa obra prima da poesia...
- Eu vim do futuro e posso te falar. Vai ser uma obra prima, mas da doidera, não da poesia.
- Ei! (...)
- Você quer mesmo que seja uma obra prima, então deixa eu te ajudar.
- Ok... Eu deixo... Tudo pela poesia...
- É exatamente o problema... Para a poesia acontecer você tem que perder a obsessão de "TUDO PELA POESIA" cara... Relaxa... Só escreve e se a poesia for boa ou não, tanto faz, valeu?
- É... Faz sentido...
- E com um tempo você até vai deixar de lado isso...
- O quê?
- Deixa pra lá... Então respira fundo... E escreva como se começasse do zero, sem pressão, valeu?
- Ok. Mas no futuro eu não vou ficar falando valeu, valeu?
- Só escreve aí cara!
Fiquei doidão de amor
De tanto amor no coração
Mas esse amor cabuloso
Virou decepção
Comprei flores com versos do Shakespeare
E tudo o que você fez foi rir
Mas tudo bem, sigo em frente
Daqui em diante vai ser diferente
Vou encontrar uma nova paixão
E voltar a escrever versos de montão
- E voltar a ficar doidão de amor
- (...)
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Voltar ao passado
Deixa a gente cansado
Mas serve de aprendizado
Mesmo para um poeta aposentado
Mas amar... Amo mesmo
Se amar fosse só bom
Eu tomava xarope
Então nunca desista
Talvez da poesia
Mas do Amor jamais
Porque Deus abençoa a quem continua na pista
E a vida sempre traz algo mais
E surpresas que até os poetas que duvidam não pensaram em escrever
Deixei este bilhete para você
Quando a gente vai se ver?
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