terça-feira, 5 de novembro de 2013

A Fuga

[um lugar, espíritos
Em um dia e em um lugar
Lá estava
Espíritos que pesam o ar

Lá estava nosso herói
No meio da tragédia

Porque heróis nascem da tragédia
E triunfar é a glória
Na humanidade e sua história
Muitos feitos para anunciar]

I

Em um dia e um lugar
Havia espíritos que pesavam o ar que ele respirava
E não havia canto algum de sua alma não sufocado
E a culpa a ninguém iria redimir

O anseio do nascimento
A necessidade de matar os grilhões
Apartar a multidão de espectros que o rondava
Calar a visão duvidosa de esquadrinhá-lo

Enfim, sonhou!
Assim que pôde o fez
O pensamento não estava nas mortes que viu
Surgiu uma raiva...

Raiva para ser e trilhar caminhos
Foi aí que sonhou com a solidão
E se imaginou seguindo pela estrada
Nenhum passo ao mundo mas sim ao coração

E pavimentar desamparado e livre
E desaparecer, não ter que dar satisfação
Não ter que explicar, mas querer
Ser estranho aos nossos olhos

Porque ao passar pelas ilimitadas trilhas de Minas Gerais
Qualquer peregrino nela contempla claramente
A verdade dos sonhos e o sem-fim dos caminhos deles
E para cada sonho um registro de uma bela paisagem de Minas
Para que se tenha fé
E a fé leve o viajante
A fazer acontecer

Mas depois voltar, não para lá, mas para si
Construir uma cabana, um castelo
E o mundo anunciaria seus feitos
E confessaria também perante ele sua derrota

Mas quando ordenou seus passos
Foi para um caminho comum
Que já havia trilhado antes

Foi para cumprir antes de tudo o dever
E quando andava este caminho já pavimentado
Um raio caiu em sua cabeça
[E ninguém entendeu a poesia]