terça-feira, 5 de novembro de 2013

No Vale das Sombras e da Morte acompanhado

     Estava eu e você a caminhar no Vale das Sombras e da Morte e você narrava o caminho e a paisagem. Você reclamava muito o que me irritava, mas te escutei com toda a atenção.

Não há como evitar
Ao andar pelo Vale das Sombras e da Morte
Se sondasse meu coração Oh! Deus!
Verias apenas pensamentos de morte

- Cuidado com o espinho... Cuidado!
- O quê? (...)
- Eu avisei, mas não pude evitar teu gemido e as pistas de sangue que deixarão teus passos.
- Siga!
- Este vale é tão escuro e medonho (!), os uivos e cânticos se dirigem a nós como se zombassem da desgraça certa que nos há de vir. Sinto o pavor em teus ossos amigo.
- Aqui é ruim, mas tenho fé que conseguiremos.
- Não! Uma besta fera vem atrás de nós...

     Então eles correram e puseram-se a fugir. A fuga foi apressada e apavorada, assim como necessariamente insensata. O mais calado entre eles sentiu garras deslizarem com firmeza em suas costas, mas conseguiu fugir. O outro depois de cessar o perigo, mas ainda sob o embalo da fuga tropeçou e machucou-se muito. Sentiu que a desgraça era muita ao ver um abismo entre a extremidade do vale e o caminho para casa. Não queria voltar, pois temia a fera. Não poderia atravessar tamanha era à distância de um lugar para o outro e a profundidade do abismo. Anunciou ao outro que era prudente que esperassem até amanhecer e parassem por enquanto.

- Não há amanhecer no vale das sombras e da morte!
- O quê?
- Adeus.

     Uma visão inimaginável surgiu-lhe aos olhos (!): O outro andava sobre o invisível e haveria de cair pois não havia ponte alguma que impedisse o abismo de atraí-lo a si. Então sem nada entender perguntou a ele como isso é possível e se porventura não é o fantasma do seu amigo falecido que morreu na queda que estava a plainar por ali.

- Não vejo o que vês.