terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Que Dia

Quão cedo é hoje
Para Amar-te tarde demais?

Céu

I

Apaga as Lágrima das Estrelas do Céu
O livro infinito que tentaras ler
Apaga-o e retêm para ti as páginas sem palavras
Mas se isso não puderes
Rasga-o
E queime teu coração nas Chamas do Amor
Sem se confundires com a Entidade Ígnea

II

Teu céu
Apagues
Não mais tens pacto comigo

Há de brilhar a Estrela Primeira da Criança
És mais uma criatura a precisar de Amor
E é mais uma das que se demoraram a partir

III

Apagues Teu Céu
Receba o Céu
Em Teu Silêncio
Em Teu Amor
Que só deve mostrar
Quando brilhar
Quando nascer deveras...

A Estrela da Criança
É a Estrela da Criação
...

Dama da Espera

Dama da Espera
Esteja comigo
Mais uma Noite
E mais um Amor
Apenas mais um outro Amor Eterno

A Dama
Filha da Estrela
Filha que percorre rápido o Universo
E repousas as Esperas das Humanas Gentes todas
Me Ensine na Lembrança da Estrela Eterna
Que a Tudo Finda e a Tudo Inicia
A Esperar mais uma vez

Ah! Por não aceitares alguém que não espera tal tu fazes
Deverei ao teu comando Partir
Mas um Dia para ti Retorno
Ao Teu Amor
Pois não deixarei de ir a ti na despedida um só instante
Que nos instantes sós da totalidade de meu caminho
Eu te amo

No Milagre da Noite

I

Luz Indubitável
Dama Esplêndida
Cavalos em Disparada pelo Céu
Seguem teus passos de Bailarina Branca

As Estrelas por este Dia
São por Ti permitidas
A Rodopiarem
E voltarem Crianças

Hoje eu me permito voar ao Teu Céu
Te contemplarei apenas
Na Vigilância de Teu Amor
Na Luz Indubitável do Milagre desta Noite

II

Tu voarás com meu olhar

Amantes

Amantes
Sede as Mãos
A empurrar Amantes para dentro do Lar-Palácio
Que conheceis
Isso é conduzir gentilmente
Na linguagem do Amor

E não deixeis jamais
Jamais
O Amor mudar seu ponto de vista

Hoje estais livres dos mandamentos deste
Hoje o Amor vive em vós

O Corpo do Diabo

O Corpo do Diabo
É a Esperança
A Verdade do Ar sem do Ar sair
No Pacto de teu Silêncio

O teu Silêncio
Filho da Luz
O Diabo
Filho de teu Silêncio

Tu Filho do Diabo
Diabo o teu filho
Desde o Princípio

Arco-Íris Noturno

I

Óh! Arco-Íris Noturno
Que brilhas todos os Azuis
Eu peço de tua Lua
A minha Religião
Ao meu coração sempre em devoção
Para que eu divida em Duas Faces
A minha Eternidade

II

Um Olhar a chorar
A Contemplar ou a Mergulhar em mim
Afogamento ainda...
Paralisa a minha Alma

A Minha Alma
Navega as Lágrimas
E quando chega
Salva o Porto
E apaga a Nação
Salva a Ilha

III

Violinos em Fila
Viajam pelo Mar
Na Última Romaria
Para encontrar ou descobrir
As Moradas do Arco-Íris Noturno

IV

Venha Arco-Íris Noturno
No Brilhar Azul de minha Fé
Meu coração ainda...

Eu desconheço se a Tua Noite me escapou
Mas não me escapou e nem me escapará
A Tua Noite em meus Dias

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A Saga

Uma Pessoa Hilária
E o Amor Irrisório
Se unem nas águas estrangeiras
De uma Dama a permitir perigrinações
As suas infindas risadas
Santas ainda...

A Maior Beleza se encontra
E não se desfaz
Amor e Pessoa
Numa Face só
Enfim multidões se desvanecem
E no Um
A minha Alma se assombra

E eu decido Amar aquela Dama
E todas as suas navegantes Risadas
Por toda minha Vida
A ser navegada por Ela

No Deserto Negro

Violinos distorcidos nas margens do Deserto
Onde dou um passo e adentro o Alto Mar
O Amor está em Silêncio
Nas nuances Azuis das Trevas

Trevas... Aqui e Agora
E esqueço
Não perdôo

Medo e Desejo
Enviam suas embarcações
Sobre esta Areia
Em meu resgate
Eu sobre esta Areia
Nada mais sinto
E muito menos a Redenção
A Vontade de...

Nas Paisagens deste Deserto Milhares de Milhares
Deserto de Areias-Bonita
Eu vejo
Milhares de faces
Inesquecíveis
E então o Amor me Envia sua Lua Escarlata para o Eclipse
E assim sou
E vou
No Eclipse da Lua e do Deserto Negro e Azul
Desaparecimento completo

Lua Plena
Amor a operar em secreto

Dama

Um Amor de outra espécie
Que segue no mesmo azul
Tu evocas em mim

A Vitória está no vento
E logo logo poderei te amar
Tu Dama que irás passar
No Caminho que houver
A Maior Altura de meu Amor
Em Maior queda profunda de Ti em Mim

Te Quero

Quero-te de verdade
Porque quero acreditar
E acredito em ti
Te quero...

Escuta o que te digo do fundo do meu coração
No nosso abraço!
Ah! Se pudéssemos escutar o mistério deste Amor
Quão mais estaríamos apaixonados?

Ah! Mais e mais nos amamos
Que mais escutaremos?

Contemple

Contemple a Alegria dentro de uma Flor de Lótus

Contemple a Tua Alma
Contemple a Liberdade dela
Contemple a Águia em direção a Lua
Forma Celeste da Sabedoria
Animal Esplêndido
Verdade garantida

Contemple a Alegria de sua Alma
E a Beleza de seus caminhos
Como ela facilmente desliza
Entre os firmamentos
E através...
Envia suas ofertas de Amor

Contempla a Alegria de Teu Rio
Contempla a Alegria de Fluir
Contempla a tua Alma

Seja, seja...
Óh tu que és

Partiremos

Partiremos deste Amor
Esta noite
E Amantes seremos de outras razões
E Amantes um para o outro
Será a base de milagres
Que fazem as mágicas das ausências
Na violência das palavras a caçarem nossas emoções uma por uma

Partiremos
Do Amor e das Palavras
Fugiremos
Até que o Tempo
Possa por fim
A Nós
Ao Amor
E a Melodia de Outono

Um Pássaro Noturno

Um Pássaro Noturno
Que te canta
É o único que podes fazer
Com que voes junto a tua solidão
Em Bando
Tu, A Solidão, O Pássaro Noturno, O Silêncio e a Noite
Abençoados pela Melodia de Outono

Ai!

A Exclamação do Silêncio
O Grito da descoberta do conhecimento
Encheu o frasco do veneno

E tudo se foi
A vida se foi
Num pensamento que não partiu

Em minha mente

Em minha mente
A canção que não posso cantar
Senão há de queimar em mim
Teu nome

Ah! As ardências das saudades de ti
Não podem mais continuar
Que eu não posso mais causar dor
No amor que parece que vai ser para sempre

Ah! Bem-Amada minha
Abra a porta
Me abrace
Venha através dos beijos a minha mente
E muda meus pensamentos em teu amor

Quem pode ser

Quem pode ser senão no agora?
Quem há de me contar o que foi fora do tempo?

Quem pode ir além da fantasia
Para me trazer a real melodia
Que pede apenas que não caia em meu sono de Alma
Que precedeu qualquer descanso
E que destruiu o Jardim que não me lembro mais

Quem posso ser
Senão alguém que deve a vida
A este Jardim?

Uma Canção Noturna

O Bem e o Mal
Voam por Esta Noite
Em nome de uma Sabedoria

Uma Canção Noturna
Se faz em meu coração
E não tardo a cantar e deixar cantar

A História do Bem e o Mal
Terão outras asas
Em meu Amor por esta Canção Noturna
Na fé que tenho nesta noite

Uma Risada

Uma Pessoa Hilária
Canta o Lamento
De todas as gentes

O Lamento
Antes segredo agora asas
Voa até as pessoas nas estradas
E nas cidades

Agora o Lamento
Segura uns em mãos
E lança-os acima
Sem asas decidem estar
Para o não-vôo dos que embaixo estão

Quem é?

Quem é esta?
Que guarda a chave
do Tesouro Aberto

Quem é esta?
O que está por trás de seu sorriso?
Quando ela nos deixa passar
E nos deixa dançar
Com as Crianças do Amanhã?

Oração

Símbolos de tua devoção
Assombram meu coração
E oprimem o meu peito

Eu quero que seja removida as máscaras
E que o baile continue
Eu quero lavar o rosto de todos esta noite
E acompanhar cada um até a saída
Num momento verdadeiro de solidão

Eu quero Amor
Mas quero que o Amor não seja mais confundido com a covardia dos covardes
Eu quero Amor verdadeiro e forte

Eu quero tocar o teu coração
A tua devoção
O Teu Amor

Em Segredo

O que toca a alma
Precisa de Amor
Para deixar ir

Em segredo
Amar Intensamente
Pode resultar em para sempre

É necessário cantar a promessa
Em segredo
Fica mais difícil olhar ao redor

Eu gostaria de dizer que você pode seguir a Estrada
Mas ainda não há nenhuma Estrela por ti
Para que a bênção seja sobre ti
Já que você negou todas as Estrelas em segredo

Eu irei esperar por você por fim ao teu segredo
Em silêncio

Que venha

Que venha a Criança do Amanhã
Que esta traga Amizades milhares
Possua as Manhãs e guie as Noites

O Amor em mim

O Amor em mim
O Amor a queimar dentro de mim
Faz-me registrar o que vem das Estrelas
Que te observam

E embora o Silêncio me abriu as portas
Para me aproximar de teu coração
Abraçar tua solidão
E abraçar tuas mãos

Eu vou confessar todo o meu Amor
E deixar fluir a ti toda a Noite
Que guardou para nós o Azul

Pequenas Chamas

Jovens Chamas
Dançam diante de um Vestido de Escuridão
Onde encontram a Porta
Por onde atravessarão o Vale
E encontrarão as histórias
Para encantar uma Humanidade
Que voltará a ser

O Nada que importa
É a Porta
Pode onde virá o Amor que precisamos
Por obra de pequenas chamas

Saiba o que tu queres

Saiba o que tu queres
Não saiba o que o Destino faz
Nem o Destino saiba o que fazes

Seja duro contra os planos vãos
Que não vão em encontro com teu coração
Fora de uma vontade disciplinada
De eras a formar teu ser

Saiba o que tu queres além do prazer
Além das direções
Além das Estações
Na Melodia que assobias

Dama das Feras

Dama das Feras
Sabes de tua Beleza
E sabes que não irás cair

A Queda é a Fera
Que já aprendestes a domar
E amar

Mais acima
Canções em degraus
Formam a tua escada
Obra de tuas mãos
Criação de tua elevação

Hás de mostrar de tuas sabedorias as gentes
E lhes dar os ensimentos
Mas por agora sabes com o Tempo
Que é a tua Era de se merecer

Dama da Justiça

Óh! Dama da Justiça
Que dança diante das flamas
Eu te dou graças
E Lanço amores para habitarem teu olhar
E devoção para abraçar teus seios

O que sonhas eu testemunho
Onde tu fores
Irá o Amor
Onde se salva a Humanidade

Em Teus Caminhos
a Tua Beleza a todas as gentes convida

A Prisão

Não conte meus dias
Não sabe por quanto tempo
Irá lhe perturbar o meu nome

Não tente impedir minha canção
Tampouco tropece em minha poesia
Que uma irá se alojar no seu coração
Há outra revelará o tormento que lhe vai

Ah! Minha Prisão
É ir mais e mais acima
Além da Escuridão
Em luzes que brilham sem mais pedir

Na Casa de meus Fantasmas

Na Casa de meus Fantasmas
As gentes espectros andam por lá
Por força das chamas

E se ouves uma voz
"Podes voar mais alto"
Então estarás em obrigação
A se queimar mais

Na Casa de meus fantasmas
Todos estão esquecidos das Melodias
E da Estação

Enfim reconheço a tua voz
e Reconheço teu riso
Reconheço o teu não se vai
Que despede de mim

Então eu habito a minha casa
E me uno aos meus

A Dama da Pirâmide

A Dama da Pirâmide
Sabe para onde os ventos irão está noite
Sabe da revelação
E quais doçuras irá colher dos olhares
Não importa que olhares
Caminharem entre as Danças do Deserto

A Dama da Pirâmide
Olha para um Amante
A Procura de uma Outra Pessoa
Que vive em sua Alma e que diz da natureza de seu Amor

Nas Danças que a Dama propor
O encontro das coisas buscadas em desespero
O Amor a seu tempo
E a imagem gravada no coração
Por chamas na espera
Em anelos que unem Mundos

Tempo

O Tempo em sua violência
Passa diante de mim tão docemente
Tão lentamente canta através de meus lábios
Que palavras de amor fora de tempo
Eu deixo escapar

Agora por favor
Me deixe
Que eu tenho uma espera eterna de você
Para atravessar

Fim

Quando o Amor se acabar
As Almas devem cair abaixo
Tão abaixo
Que é necessário que a Humanidade sobreviva
Por obras de Musas que dançam diante da Morte

Que Só Amantes assim E Musas Assim
Merecerão sobreviver
Para As Crianças que hão de vir

Diante da Última Dança do Amor

Na última Dança do Amor
Eu dei de costas
E voltei ao Trem

Se ao menos não posso acreditar no Amor
Acreditarei no movimento
Com as minhas lembranças da Última Dança do Amor

Todos

I

Todos querem
Então que o Destino seja Deus

Se todos no Amar não vão a Dança
E não se entregam a Chance
Que olhar do Destino
Dance sobre todos

A Voz de Todos
Seja a Voz do Destino
E quando o Destino escutar a si mesmo
Que a Voz de todos se cale

(Assobio na Noite
Assombro ainda)

II

Amantes-Verdade
Dançam a Exaustão
Perante o Povo
Perante o Destino

Recebem do olhar do Destino
A Rosa do Povo
O Amor Novo
E a Melodia do Outono

O Destino chamará estes Amantes
Para sua Amizade

Orgulho

I

Pessoas orgulhosas
Como eu e você
Merecem sofrer
Para aprender

Ao nosso lado
Estátuas nossas
Nós nos despedaçamos
E elas ficam intactas

II

Uma pessoa Solitária
Caminha pela Estrada
Ao menos acima
Águia Esplêndida
Águia extraordinária
Em direção a Lua

III

Ela olha para mim
Eu olho o espelho

Um Outro Dia

Um Outro Dia
Eu poderia Ir
E invadirei o Rio da Sabedoria
Para velejar até o Reino do Mistério
Com as minhas Luzes e as Minhas Trevas
Finalmente reconciliadas depois das requisitadas batalhas

Há tanto mais para amar
E tanto mais para saber

Eu vou ao Outro Dia
Nas Portas que teu Amor
Me abriu hoje

A Escada

Eu faço a ascensão
Passo por passo
É tudo o que eu devo
Ao meu coração que não mais vou querer domar
Mas vou aprender dele a atravessar caminhos

Em teu caminho
Algo tão novo brilha
O Amor de eternidades vindo
Se encontra com o teu olhar
E não mais duvido
Apenas em maravilhas
Me aproximo de ti

Numa Determinação
A Tua Visão
Me cobre o quarto
Não mais me permito ver nada
Até que eu possa te abraçar
E ver paisagens infindas
Que nunca antes senti
E que sempre vi

Sussurro

No Sussurro
O Convite
Ao Templo do Amor

Na Celebração
O Entendimento de todas as coisas
Até que o Amor cresça com os Mistérios a se expandirem indefinidamente
Banhados nos Rios da Sabedoria Eternos

Vamos
Vamos Agora
Que a Eternidade não espera
E não abre outras portas
Que essas que já abrimos a tempo
Ao nosso Tempo

Amada

Eu quero que meu Amor seja
Na Ponta do Abismo
A Luz de teus portos

Eu Dançarei diante do Abismo
Para te Amar o Amor
Que pode ser Infinito

Nas Estrelas que eu posso tocar
Está o compartilhar dos meus objetivos
E o verdadeiro Almejar das Estrelas

Eu vou levar ao Caminho Impossível
O Meu Coração
E Irei atravessar
E nos abraçaremos no tempo certo
Da Melodia Convidada em Segredo

É Tempo

I

É Tempo de acordar a Cidade
Despertar a Verdade
Um Hino que se escondeu
Na última vez que o povo fugiu do poder de uma Canção - Criação

Não mais
Porque agora é tempo
E hoje que não agora é tão maldito quanto uma amanhã
Não tenho pressa
Não tenho nada
Apenas quero agora
E vou

União
Qeum dos desesperados me dê a Mão
As mãos que se movimentam
Mais me alentam
Do que as gentes que buscam sânias
Em eternidades

É Tempo de despertar-se
Acorda o Outro
Que você trouxe para o seu Lar

É Tempo de Verdadeira Solidão
E verdadeira Companhia
Agora me aviva e me faz nadar na Alegria
A volta da canção

II

A Ciência do Fim
É dar caminhos ao Sonho

Mar

O Mar do Inverno
É para velejar a Coragem das Almas
Que se perderam por si mesmas
E não por culpa de estações

Se o Sonho não acaba
A Brasa em nossas asas também não
E não a paz em nossos descansos

Nada mais deseja minha alma
Que ser arrastada
Por estas coragens
Que me revelam as novas cidades
E me removem as falsas antiguidades que imperavam

Encontro

Se de fato eu pude de encontrar
Continue a prender a minha imagem no Mar
Continue a queimar-me no Sol
Longe da profundidade da água

Numa Alma forjada
De um não-amor

Ao Teu Templo

A Guitarra que te Ama tanto quanto Eu
O Aroma do Amar
Uma Neblina a escapar para a Manhã
Abre-me as portas do Tempo
Para te Amar

O Rio de Teu Olhar

O Rio de Teu Olhar
Me faz atravessar a Noite
Até chegar perto de ti
E ter você sobre o meu Amor

O Teu Olhar
Me traria aqui de qualquer forma
O Amor me tomaria para ti de qualquer forma
Só em Tua Forma! Ah Minha Amada!

Eu cantarei ao Rio
E a Beleza sobre Ti
É que levarei meu Amor

Saudade Minha

Ah! Saudade Minha
Solidão minha
Mares e terras imensas ainda

A Beleza do Amor que me consome
Faz-me perdoar as chamas
Que queimam em mim teu nome

Leve-me

Leve-me a seu Amor

Amada
Lembre
Que você é o único acontecimento de Amor
da minha vida
E você sabe disso

Eu amo você com Amor além do Amor Entendimento
Que eu trabalhei as minhas Solidões
Para abraçar as suas

E do Amor Eterno
Lhe farei Amores
E viveremos no Jardim do Amor Divindade
Como Guardiões
E não como pedintes hipócritas

Lançar Sortes

Meu rosto vai para a Desvanecência
A tua luz brilha no caminho sem afastar as devidas trevas

É assim que irei lançar as minhas milhares faces
Diante de ti
Até que sem formas
Eu apareça diante de teu Amor
E enfim vá embora

Caberá a ti
Escolher a estação
Escolher melodia ou não
Para a Saudade de mim habitar num para sempre

Assim desaparecerá
De tua eternidade

Intuição de Agosto

I

Se eu seguir sempre em frente
Num momento que irá terminar
Sem me perguntar mais nada
Numa fé que possa ser a minha trapaça
Eu terei você de volta
Tal se o Amor voltasse do Tempo

E o Tempo da Tirania Libertado
Lançaria-nos em seu Porto
Amantes que reimam almas
Seriamos chamados

II

Sempre houve apenas uma direção
E nenhum outra escolha há para nós quando estamos próximos
Que não a sina de Amantes sem Amor

A Janela

A Janela que eu deixei
Tinha canções
E tinha Amores

A Janela que eu deixei
Guardava teu nome
Iluminava meu coração

A Noite me chamou de forma invulgar
E foi por isso que parti
Apenas se fechares a Janela para mim
E abrires o céu para Ti
É que poderás esquecer de mim

Dama da Mensagem

Dama da Mensagem
E da Melodia Única Devotada
Por um Amor de Outono

Tu que me chamas por vários Nomes
Que diz-me tuas mensagens apenas nos Jardins
Eu irei te Amar até a vinda do Inverno
E te amarei para sempre

Eu hei de ser tua Melhor Amizade
E melhor companhia de ausências
Que eu hei de levar a tua mensagem e o teu nome
Nas gentes que amarem nestes Invernos
Até que um dia eu volte a Ser
Na Vera e única estação
Onde tu me guardas
Em uma última palavra
Tal uma última revelação

A quem somos pertencentes

A Dama de Azul Verdade
Somos pertencentes

Ela diz: Vós sois meu Povo
Eu sou vossa Rosa

Nas Chamas do Amor
Libertarei o Amor de vós
Que vos libertará adiante
Para onde ireis

Um Passeio

Fugi das outras Melodias Irmãs
E me perdi no Tempo
Quando tuas Palavras me Abriram as Portas
Para adentrar o Incompreensível

Em teus Jardins
Eu me descobri
Ao decidir trilhar o caminho
De volta a Luz e ao Meio-Dia
Da Melodia de Outono

Mais Escuridão

Mais Escuridão
A Divindade Dama peço
Para que me dê mais força
Para derrubar as portas ao batê-las
Para que meu coração cante mudo
E para que minha fúria me queime no silêncio

Mais escuridão
Por que não?
E por que não agora

Que minha Alma grita o desafio que me fez o céu
E no desafio permanecerei
Até arrancar o sorriso do céu a entrar na minha visão como um espinho

As Risadas Celestes
Acima
Terei elas em minhas mãos
Dos meus corações que derramam trevas
Derramarei a mim
Na minha última chuva
A me santificar Eterna Tempestade

A Cidade Amada das Canções

A Melodia voa sobre as mãos estendidas
Das Multidões que vão acima
Por Amor a este Amor de Outono

A Cidade Amada das Canções
Aos Corações inflige asas
E as Esperanças batem as portas
Quando as portas se abrem
Voam para bater portas mais acima
E levam assim mais alto o coração
Que leva a guitarra e a canção

A Dama das Estrelas

I

A Dama das Estrelas
Bate na Porta
As Outras Damas Das Estrelas
Chama

II

Você disse
Maldita a Entidade sem Luz
Que me ofuscar a estrela
Eu me lembrarei do que você disse

III

Em teu caminhar noturno
No Jardim de Róseas Esferas
Vês que danças fazes
As Estrelas Acima?

IV

Dias de Chuvas diante da Janela
As Estrelas Cadentes milhares
Irão me falar de meu Amor
E quebrarão todos os Espelhos

Dois Amantes a Dançar

I

É necessário
Que Dois Amantes se Amem
E que estejam a dançar ante a escuridão
Dos quartos a brilharem azuis
Em Nome do Amor
Para que todos nós Multidão
Possamos ver a Divindade
E possamos cantar a Dois Amantes Dançantes

Cantar a um Amor
A se movimentar entre passos milhares
É a Luz de nossas vidas
É o Escarlate dos Vestido da Musa Amiga
É o nosso coração a bater dentro de Dois Amantes

II

Que venha a Bem-Amada

O seu Céu

I

O seu céu cai sobre mim
E a obsessão por Ti
Cresce

Eu beijo as nuvens que se espalharam sobre mim
Mas ainda prefiro amar
Tua humana forma
Segredo de segredos
Entre a Divindade Natura

O Seu Olhar olhar para mim
Eu olho de volta
Para Vós
Tu e o Amor
A passear minha imagem em vossa contemplação a toda alma da paisagem que se apresentou

II

Desviei do Amor por um momento
E quando este me encontrou no Caminho
Se tornou meu caminho
E tu se revelou o meu Amor

Fama

A Fama do Coração Escuro
Espera a Dama
Atravessar uma Ponte

Quando esta Atravessar uma Ponte Final
Obra de suas Mãos
A Fama em Forma de Dama na Verdade de sua Divindade
Esperará para abraçar sua Irmã a habitar o olhar do outro olho do Rio

A Dama do Vestido Escarlate e as Trevas Doces

I

A Dama dos Vestido Escarlate
Está nos Jardins que se fazem abaixo desta Montanha
A Coordenar as Chamas
Até transformá-las em Harmonias
Para seus Cânticos

Ela levou meu Amor a um lugar mais profundo
A um mais profundo templo
Que vai e cala dentro de mim

No meu silêncio
Uma Doce Treva a Visitou
E ela veio a mim

II

O Amor
Habita uma Lua inteira
Até a Escuridão do olhar

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Nos Campos

Entre os Campos
Visitados pelo Brilho
Da Melodia de Outono
Há uma tristeza ainda
Que não foi colhida
Tão pouco se espalhou

Nestes Campos
Que sonham em ser desertos
Apenas um Piano e um Espelho
Habitam
Tudo o mais são Trevas
A Zelar pelos Mistérios
A Zelar pelo que sobreviveu de entendimento
Que ainda louva na Sabedoria uma Divindade

A Solidão da Música
As Estrelas comovem
O quebrar do Espelho é só uma promessa
Tudo está onde deve estar

Eu vou ecoar uma Melodia de Outono
Eu irei habitar o Olhar destes Campos
Aqui permanecerei
Aqui me espalharei afinal

Pacto

Quanto menos palavras de Amor lançarmos
Mais do Amor mereceremos
Mais as artes dominaremos
E teremos os corações nas mãos

O Poder que iluminaria levemente um oceano
Por voar sobre ele
Vem a nossa Alma
A Pedir nada
A reter tudo

A inexistência
É apenas uma forma sublime de distância
Mas não sentir sua presença
É a Redenção

Estou eu e uma Dama
A Observar estrelas
E observar luzes de azul-verdade
Sobre o Mar
Palavras vemos
E as capturamos
Para nossos silêncios

A última comunhão
No paraíso perdido
De nossas Almas Distantes
A zelar

Jardim do Inverno

Sem Melodia do Outono
Eu estou a atravessar o Abismo
A Semear o fim das luzes excessivas
E dos calores não requisitados da Alma

Uma Dama Grita
No Leito que o Inverno lhe preparou
Ela então canta
Ao encontrar conforto nas Trevas Geladas
No mergulhar profundo das águas não-anunciadas

Com esta Dama permanecerei
Até que ela venha a mim
E me revele onde entre tantos tremores
Entre todos os mergulhos
Encontraremos o Piano
Que relampeja as Notas do Amor desta Estação

Anjos Perdidos

I

Anjos se perdem no Salão
Em busca dos Livros que guardavas seguros
Junto ao teu peito
Junto a tua jura
De proteger as palavras escolhidas

Os Anjos se perdem
Nas chamas
E lá permanecem desorientados

Dama Má
Assista teus livros a chorar
As Lágrimas que estão acima

Em uma Outra Esperança
Os Anjos encontram o que tanto procuravam
Num Sonho
Que só foi acordado tão cedo

II

Dama
Do Coração Oscuro
Eu conheço Tuas mãos

III

O Livro se fecha

Deve haver uma esperança

Deve haver uma esperança
Deve haver uma verdade
A Trocar passos com meu coração

Em um Sonho
Eu falava
Com as Coisas e os Seres
Que voavam

A Dama do Amor
Estava lá
A Despir coroas sem sentido há anos milhares
E a libertar as gentes cantantes
Que perseveraram em Amar

A Alegria vem em meu coração
O Azul se espalha
Eu devo estar a conversar contigo

Tamanha é a Melodia na Sala
Tamanha é a Esperança em meu coração

A Dama da Promessa

A Dama da Promessa
Brilha
Em um Reino Infindo de Azul
A Terra a beijar o Céu

A Dama dá um passo a frente
O Amor entra em nosso coração
Com a Promessa que fica

Bendita agora estão as nossas mãos
E o Povo faz da Rosa do Povo
A Melodia
O Estandarte

As Crianças que virão a nós amanhã
São verdadeiras
A Dama dá um passo a frente
E amanhã vem com As Crianças Para nós

Nosso Hoje habitava o olhar dela

Desnudar

Hoje rasgo as vestes reais de minha miséria
Lanço fora os colares de minha amargura
Lanço fora a Coroa de todas as minhas Decepções

Hoje desvestido assim
Vou percorrer
Até a minha Montanha Favorita
Para que meu olhar
Enfim nu
Veja as Infindas Estrelas
E meu coração aqui construa
Meu Abrigo na Beleza

A Caravana Cigana

A Caravana Cigana está na Cidade
Hei de ver minha Bem-Amada

Devoção levo em minha guitarra
Calma em meu olhar e coração inquieto
Hei de me perder no Olhar de Minha Cigana
Hei de me encontrar no Amor que ela guarda
Com a mão vinda em seu peito
Com o olhar indo longe

Caminho com ela
Tal caminho a estrada da Vida
A Estrada a Estrela
O Início de minha peregrinação
Tão sempre duradoura tal o Amor

O Amor

O Amor precisa continuar a mover as Estrelas
Sob a sua lei e com seus impulsos
Ímpetos de Amar que me caem dos céus
Faz-me ir até a Ti
E te abraçar
Livre de quaisquer deveres estejam onde estiverem
Pois hoje importa-me a Lei de Teu Coração
Abraço-te sim minha Amada
Que hoje compete a nós mover as Estrelas

Teu Rio

Teu Rio
Ao meu Amor vem
E nós a ti leva

Através de uma Noite Inteira
Plena... Completa!
Eu contei estrelas
E contei às estrelas
Quão incontável é o meu amor por ti
Elas contaram também o Amor delas
E passaram a contar desde já as Estrelas de Meu Amor

Ah! Amada de exércitos celestes
Amante! Meiga Amante!
Amo todas as Estrelas de Teu Olhar
Amo-te toda e tanto
Ainda que exceda meu saber
Mais sei do meu Amor

A Multidão da Insanidade

Estrelas das Insânias
Rasgam o céu
Onde guardávamos nossos papiros

Gentes mortas erguem-se
O pavor que está entre a morte e a amarga vida
Delírios-cadentes - Últimos escritos

A Melodia que sai do escuro cór
Ameaça a todos nós
E quando nos traz para perto da Multidão Sagrada
Em nossos rios de lágrimas a fluir para fora de nós a vida
Então a Melodia nos devora
E a Multidão Sagrada se torna profana
Por Amor de ter nossos nomes
E lançá-los a um esquecimento final
Que permanecerá tórrido tal a lava de um vulcão
Do calor que fomos um dia
A Ausência-Calor uma Silhueta
Enfim nos apaga
Nos transforma
Nos Ama
No Amor infinito e vazio
Dos Abismos Astrais das Estrelas Enlouquecidas

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A Caravana das Amadas

A Caravana das Amadas
Passa
E nossas canções e nossos amores
Instam que nós nos juntemos a empreitada

Uma Celebração se inicia
E o Amor Brilha
Entre elas
Aprendemos as Palavras
E lançamos as sortes

A Caravana das Amadas
Passam por nós
E o Nome do Amor
Em nós
Permanece

Sonhadora

I

Ah! Dama dos Sonhos
Bendições estão sobre os Sonhos
Que estão por ti
E que levam teu nome
Para mim entre as multidões

Ah! Dama dos Sonhos
A Verdade e A Beleza
E Sonhos sobre Ti
Que vais e vais
Acima e acima
Ah! Meu Amor vai até as Alturas

Guitarras Cantantes e Violinos em Amor
Seguem-te até as Estrelas que vais visitar
Meu Amor que está a te amar
Se contenta em Amar tudo que está no caminho
Tudo o que se refere a ti
Para te alcançar

Guia! Guia! Musa Azul do Vestido Escarlata!
Amada! Amante! Bem-Amada!

II

Então eu vou te amar
Mais
Sem sair de perto
De ti que levas meu Amor longe
Em tuas mãos delicadas a passear o Universo

Graças

Eu nego graças ao Tempo
Quando estás na Altura do Amor
No Domínio das Horas que hás
A Fluir bem entre seus dedos

As Graças dou a ti
Que rodopias
Que mantém minha contemplação em Ti
As Vozes densas do Amor
Se despedaçam em tecidos leves ao cair em teu corpo
Eu vejo as Pétalas através do Vento

As Graças estão em Ti
Em ti as buscarei
Levo o Amor Primeiro
Para tua Dança entre Danças
Levo-me por Inteiro
Para render a minha Alma entre tuas tranças

Uma Casa Cinza

Uma Casa Cinza
Me vêem com os aspectos
De tua descoberta primeira
No amor eterno que em mim vivia
Sem eu saber

- Hás de me contar

O Sonho teu vive em mim
Eu hei de ser tua Casa Cinza
E não desvanecerei
Até que possas viver todos os teus sonhos

A Nova Ciência

A Nova Ciência
É dar Vôos no Tempo da Solidão
E dançar com Ventos no Tempo da Companhia

A Volta ao Mundo
O Reencontro com tempos primordiais
Seguindo em frente
Adorando a Beleza

A Nova Ciência
Antigo Saber
É em ser

Crescer
Numa Nova Idéia
Animal Esplêndido
Pantera
Do Mundo Inteiro
Que se gera
Na Criação que se dá
Em ir e vir
No movimentar apenas por se transformar

As Palavras da Poetisa

As Palavras da Poetisa
Eram Aves Mistério
Admirava-lhes a Beleza
E não compreendia

As Aves da Beleza
Vindas da Boca da Poetisa
E da Lua de sua Vida
Iam longe no Mar do Horizonte
E meu olhar mais profundo mergulhava

Voavam por baixo do meu Entendimento
E as Rosas Cresciam
Rodas de Amizades celebravam diante delas

Acima do meu Entendimento
Só Beleza delas
E as Rodas de Amizades haviam Tempo e Silêncio
Amor e Prazer

A Rosa da Profetisa
Brilhava

As Aves Mistérios da Poetisa Por Fim
Brindou as Nossas Vidas
E calou as nossas Sedes
Fazendo-as novas Vinhas

A Poetisa veio então para perto de nós
E lançou-nos ao Ar
Então com as Asas Finalmente Entendia
Que Àquela Poetisa eu apenas pertencia
Em Tudo e Nada
Além de Mistérios
Na Dança e Canção
Das Alturas Asas
Das Profundidades Casas

Um Não-Dito

Um não dizer
Não é a Maldição Primeira
E não será a Maldição de Tempos em Tempos

Um não dizer
Tal uma Música Final
Há de pertencer
A Lei Primeira
E O Amor que se foi por Ela
Para não deixar de ser

A Lei e o Amor
Duas Luas e Dois Sóis para cada uma

Assim é o meu mundo
Onde calei profundo
O Amor que não vou te dizer por agora

Mas se calei
O Amor que deve ir a ti
Pavimentará caminhos em mim
E quando eu abraçar o seu silêncio
Encontrarás Jardins em mim
A Dizer apenas do Teu nome
E a cantar apenas para ti

Ah! Agora que o sabes
Eu te Amo
Amada minha
Sem princípio
Desde o Início do Amor
Que começaste

Os Ventos

Seguirei os Ventos
Até chegar no Paraíso
De Teus sorrisos

Vou aos Ventos
E até lá
Parto daqui em forma de Música
E a Beleza que és para mim
Como vou encontrar é o Mistério
Que me voar

Não poderia

Não poderia perdoar
E não poderia viver
O Novo Amor se foi
O antigo também
Porque só acreditei no que estava em minhas mãos
A única ave que aqui pousou
Quando voou
Não a acompanhei

domingo, 6 de dezembro de 2015

A Guia do Tempo

Sem a Guia Cronológica
Os pensamentos se estendem demais
As palavras me sufocam o vento
E meu coração não mais flui
Nos Rios do Ar

E minha Alma Precisa Cantar
Onde antes eram apenas palavras
Minha Alma precisa sobreviver
Na Guia do Tempo
Até que eu possa Ser
Lado a lado com ele

Qualquer pensamento

I

Qualquer pensamento e qualquer linguagem
Preciso para seguir em frente
Qualquer pensamento e qualquer linguagem
Temo e sigo em frente para dentro do temor
Que por agora me é o único caminho

II

A Cidade chama os mortos
Para participarem de suas análises
Quem vivo está
Está a Viver pelo Rio

A Cidade está
Para ser chamada a Cidade das Chuvas
E quem vivo estava
Estava a Viver pelo Rio
A chamar os mortos
Para serem enterrados nos últimos pensamentos
Da cidade que ainda chama por estes

III

Qualquer pensamento
Qualquer cidade faz

Antes da Linguagem
Fora da Linguagem

Asas

Óh tu das mãos-atadas
Que não voas agora?

Óh tu das mãos-atadas
Teus sonhos ainda não saíram do chão
Qual é a forma que irás ter com eles
No olhar no céu que te observa a tua imobilidade?

Óh de mãos-atadas
Que será de ti agora?
Tuas mãos em comunhão
Estão na prisão

Óh tu das mãos-atadas
Assim como estás voa
Assim sem esperança vai
Ou com a esperança quebrada tropeça em alguma nuvem
Que em ser visitada assim te abra uma estrada

Óh tu das mãos-atadas
Acredita
E se acreditares
Voarás ainda que não acreditando
Se erguerás do chão ainda que não vendo-o afastar de teus pés
Teus sonhos te buscarão quando não puderes
De tuas mãos atadas sairão anjos
Com as preces de fazer das mãos onde saíram gratos
As Asas que necessitas

Criação

Mais perto está do espírito criador
Quem das palavras a mente esvaziou
Quem na realidade dura entregou sua extrema dedicação
E semeou infâncias no vento
Atravessou deserto para colher Sabedoria
Na Ingenuidade

O Deserto também é uma criança
O Deserto também é uma criação
Quem ver nuvens nas areias
Será também um Espelho
Passeará e boas novas colherá
Para as gentes que padecem falta
Nos lugares chamados de abundantes

Um Dia

Um Dia
Estandares do Amor não conhecia
E Amantes marchavam pela minha Rua Favorita

Um Dia eu prometi
Que se entendesse esta visão
Eu levaria o Amor dentro do meu coração
Até entender seu Mistério

E quando eu entendesse
Eu não pensaria mais a respeito
Eu seria qualquer Mistério
Que ele ousasse querer que eu fosse

Venha comigo

Venha comigo minha Amada-Amiga
Iremos para longe
Até a Distância querida de teu olhar
Que habitavas de tempos de tempos

A Distância querida de teu olhar
Entra profundo em minha Alma
Eu sossego em Amar-te cada mais
Em sonhar-te ao abraçar o seu nome
Melodia ainda...

O Chamado

Compreenda o Amor
Em meu beijo
Eu preciso que compreendas
Em minha última vinda
Numa noite que não me convida
Através da porta que só me abriu o Sonho

Eu guardei meu amor

I

Eu me tornei Guardião do Amor Primeiro
Amor para quem elegi a Primeira
A Única

Guardião do Amor sou
E Já não sei Amar mais
Que tudo isso eu guardo
E tudo isso me abandona

II

Não desertarei o Abandono

Rosas a Solidão

I

Rosas a Solidão eu dou
Honro a presença da Não-Pessoa
Que me acompanha
E que me ajuda a ver

II

A Capacidade de Ver
Me vem da Pessoa em Solidão
Na qual eu mergulho

III

A Solidão Primeira
É uma Tempestada
A quem recorro
Para continuar a adornar meu Jardim
E para continuar a vê-lo crescer

Que é de Raios e Trovões que eu faço meu Jardim
Que eu só faço um Jardim
No qual eu acredito

O Melhor dos Enganos

O Melhor dos Enganos sempre será
Amar as Ilusões quando se vão

Uma Razão

Um Pensamento
Ocorreu-me durante a Noite
E me encontrei com toda a Humanidade

Eu tomei um fôlego maior
E inspirei ares que não havia percebido antes
Eu sai para andar lá fora

Um pensamento
Um fôlego maior
E a humanidade desapareceu fora de mim
E as paisagens que percorri em mim adentraram

Perdão

Eu sigo o Amor que está adiante
Tu sigas o Amor que está próximo

A Justiça o Tempo cumpre

Nem eu e nem tu
Nem atrasados e tampoucos chegamos apressados
No Jardim do Amor

No Tempo correto
Somos o que somos
O que não fomos aqui está
No devido lugar

A Justiça no Amor se cumpre

Nem eu e nem tu
Só Obras do Amor

Êxtase

Eu encontrei a Divindade do Amor
Ao me Encontrar contigo
Na Ponta do Abismo
Abismo-Jardim do Destino

Na Ponta do Destino
Eu parei e contemplei
O Meu Olhar em Ti Mergulhava

Ser Amor

Ouvir um chamado
Ver o que se quer e o que se faz
Perceber uma canção

Decidir diante da face dura do Destino
Recolher o que está numa mão
E na outra mão
Jardins no Fim
E Jardins para surgir quando tudo acabar

Ser Amor
Ser Amor
Ser simplesmente
Ser Amor
Ao seu lado

Fim da História

Eu cantava a Melodia
Que me ensinava o Amor
Cantei sozinho
Para meu Amor
Sem estar lá

A Lágrima que caiu
Não caiu comigo junto
Sem queda e sem presença
Tampouco para ser uma Ausência
Eu deixei a melodia apenas passar

Sem queda
Sem ascensão

Sem redenção

Nesta Noite

Nesta Noite
Suspenso de mim está
Uma Alma
Com os Saberes que determinam o que é certo e o que é errado

Mas o Bem e o Mal
Tal duas Entidades
Vivem em mim

Nesta noite
Você pode me dizer
Se o que fomos
Ocorrerá no somos
Mais uma Vez?
Numa Vez que há de se sustentar pela Ousadia
E não pela obrigação da Verdade tantas vezes vista?
Diga-me
O que veremos nesta noite?
Veremos o que não vimos
Que era tudo que em nossa frente habitava
Enqüanto contemplávamos com um Anjo a nos dizer
Que estávamos verdadeiramente ao lado deste enqüanto nos dizia?

Nesta Noite
Os ventos sopram fortes
E não irei querer-te longe de mim
Um Paradiso não sobrevive
Sem o Bem e o Mal
Sem o Amor que está entre estes
E entre nós sem saber

As Portas que se abrem e se fecham
É Destino dos Ventos
O Destino dos Ventos é saber
Quando estaremos ou não
Em seus caminhos

O que seremos?
Nesta noite?

...

Sonhos

Sonhos se tornam realidade
Eu vejo teu semblante
Diante de Flores Azuis-Verdade
E toda sorte de cores irmãs
Abraçam as tuas mãos e abraçam aquelas flores

Uma Dama de Agora
Me Chama para seu tempo

Uma Dama de Agora
Me sorri
E está a brincar por estes campos
Mostra-me o Começo
Então vou com Ela
Por amor de suas Canções
Por Amor ao Tempo que vem na Forma de Melodia
Na Forma Divindade
Na Forma Verdade

II

Eu a Amo
E assim
Encontro ela em um Sonho
Num chamado dela
Num sorriso dela
Que persiste
Na Brincadeira dos Campos
Que continua

Eu contemplo e me movimento
Eu paraliso o Rio
E por ela Fluo ainda

III

Em Eternidades que desconheço
Ela me guia

Nada me pertence

Nada me pertence
Nem mesmo o sonho que é meu
Nem mesmo o passado que me faz
Nem mesmo o Futuro
Esta cobra alada
A vir me cobrar os frutos
E me abençoar os pássaros

Os pássaros de meu Jardim
Correm tranqüilos por mim
E hão de voar para fora de mim
Na hora que mais preciso destes por perto
Diantes dos visitantes que estão aqui

Ah! Digo essas coisas
Apenas para cantar
Que nada me pertence
E que os pássaros voam

Ao menos meu Jardim
Eu poderei esconder a mim
E quando não mais puder me ver
Eu ao menos poderei ser
No Jardim e a mim
Que pertencerão nem a um e nem a outro
Serão uma só coisa
Que não desconheço e não nomeio

Um Sonho

Eu não posso confiar meu Sonho
A quem não toma parte na vigília desperta
A quem não toma parte na coragem do Amor

Meu Sonho há de inspirar as gentes amadas
A serem amantes também
A saírem de uma noite tranqüila
E irem fora ver no Céu
O quão a Noite pode ser industriosa
O quão a diversidade das estrelas pode ser harmoniosa
E criaturas criadoras ainda...

Meu Sonho irá durar para sempre
No Amor das gentes a amarem para sempre
Meu Sonho é tal o delas
E com elas que habitei meu olhar

A Lua

Da Lua Parte os tecidos
De sua própria criação
A encobrir amantes
A revelar o Amor