Havia um tempo em que a busca pela verdade era divertida
Até que um dia ela virou profissão
Eu era um profeta e anunciava a verdade sem medo
Até que me tornei poeta para apenas agradar
Como mártir morreria pela verdade
Até que de carrasco fui trabalhar
A milícia do bom combate
Não é digna do sacrifício dos inocentes
Ainda que quão grande verdade
Hei de negá-la em nome da família e do pão
A pátria, as nações, o mundo
As fronteiras desenhadas por espadas e por sangue...
Quem é que cobrará esse sangue?
Sangue que grita uníssono
É um rio que corre uniforme
Quem inquiriu colocar no mapa cada nascente?
Mas o poeta não é o buscador da verdade
Não, não... Não é
Por que me segues se não estou te levando a lugar algum?
É trombeta, estandarte, estrondo e o boato dos povos que vêm ao seu encontro