sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

A teoria do capitalismo instintivo

     Vejo o capitalismo e admiro-o, desde as antigas sociedades o nosso bom e velho amigo está consolidado e acomodado no seu trono como um velho que não tem força para sair do seu leito. E é isso que ele nos ensina sempre, está estabelecido, está consumado, acabou, o capitalismo está estabelecido e sempre subsistirá. Alegremo-nos e vamos comemorar por isso não é gente? Como será que o capitalismo durou tanto tempo e ao contrário de nós humanos, ao envelhecer ele adquiriu um inabalável vigor e quando pensamos que sucumbiu, que consegui-se destruí-lo ele ressurge das cinzas como a fênix e depois vem voando como águia com seus olhos e vem sobre os inofensivos animais que não possui tanta locomotiva, presos ao chão por não romper com a força da gravidade restando servir de alimento a esse animal tão peculiar e admirável, símbolo da visão e da supremacia desse bem elaborado sistema. O que eu disse? Bem elaborado?
     Uma das peculiaridades que torna o capitalismo distinto é que ele é o mais antigo de todos, parece que não formulado ou planejado, surgiu espontâneamente e aceito sem murmuração, pois nunca os ancestrais culparam um sistema, talvez não imaginassem outro, criam nas utopias de suas crenças que eram o bastante para consolá-los e dar esperança, culpavam a vida, a sorte e conformavam-se pois era assim e não iria mudar. Desde os primórdios o mesmo capitalismo, apenas mudou a aparência, mas continuou com sua teimosa essência. Mas por que? Haverá uma explicação para isso? Não sei, mas algo que me leva a crer que o capitalismo não é nada menos que a expressão do instinto humano em sistema sócio-econômico. Faz parte da personalidade. Está dentro de mim como vou arrancá-lo? Houve um instinto no homem que saltou para a sociedade, a contagiou e a envenenou, sofreu uma mutação, um delírio e se tornou o capitalismo. Se alguém conseguir mudar o instinto humano, certamente terá poder para acabar com o capitalismo. Mas ainda que o controlemos, teremos que persuadir e curar as gerações futuras deste vírus que nascem de nós, podemos sim tirar o capitalismo de nós, mas temos que fazer uma manutenção periódica, sistemática e contínua para que o capitalismo não relute dentro de nós e concebamos-o de novo. Nós criamos o capitalismo, cada gesto, cada ação nos levou a constituir o capitalismo de nós ele nasceu, o criamos, pensamos que tinha-o sobre controle, mas sendo já crescido e forte nos arrebatou com rebeldia jovial e depois nos dominou e cessou-se as forças para repreendê-lo e não podemos o persuadir, é rebelde e mesmo que reclamemos nunca nos dará ouvidos. Minha conduta de vida, ainda que reclame do capitalismo, expressa-o e mostra-o, embora negue-o em palavras, confirmo em ações. Haverá modo de que separar o capitalismo de mim? Está impregnado em mim, embora me consuma não consigo me livrar dele, somos inseparáveis. Sempre quando afasto-me dele, não consigo por muito tempo e mesmo sabendo que ele não mudará e permanecerá nessa arrogância, eu não resisto.
     De modo que, o capitalismo está em mim, esta aí dentro de você (não seja hipócrita, se examine e encontrará no mínimo uma pequena semente, pensa que me engana? Deixa de safadeza!), revolução radical deve ser feito na humanidade e depois, preocuparemos em mudar o sistema. Ou então nos contentaremos e vamos nos acomodar, ninguém é perfeito e mesmo assim não rejeitamos a todos por completo por isso, tenhamos bom senso. Os bois vão sendo conduzidos ao matadouro, mas eu me deixo levar tranqüilo e feliz com o meu fim! Vamos aceitar o capitalismo e aprender a amá-lo em sua imperfeição. Sim! Eu sou um capitalista, declarar isso me provoca um largo sorriso de satisfação. Eu quero ver também este mesmo sorriso em você e este mesmo estampado no rosto de um mendigo com sua boca de dentes podres. Eu exijo voluntariedade e alegria.

Capitalismo, uma história de amor comigo mesmo!

Óh! Quão admirável é o capitalismo em todo o seu curso
Poêm em harmonia o benefício próprio e uma sociedade
Não resisto ao brilho da prata e do ouro que me seduziram
E iluminaram o caminho obscuro para que pudesse envergar e ver
Enfim, o que agrada os meus olhos, o lucro.

O lucro é a sua graça e o seu favor é melhor que ser amado por todos
O lucro foi concebido com uma dor que não é minha
Mas o prazer me pertenceu

Não há como resistir, sem hesitar me entreguei
Com suas propagandas e publicidade sussurrou carinhosamente
Em meus ouvidos, sonho e planos ao meu dinheiro
Somente o capitalismo me completa...

     ...Completa minha conta bancária, minha ação na bolsa de valores e o débito bancário. Ele que me presenteia com bens de consumo, paga minhas contas e salda minhas dívidas. Ele me ama incondicionalmente , enfrenta tudo e todos para me beneficiar, ainda que deixe muitos irados ele não cede, o que importa é me agradar.
     Por isso eu quero viver esse amor, esse sonho, esse charme capitalista irresistível, não consegui segurar o cartão de crédito e, gastei e comprei, me alegrei com o capitalismo, viajei, usei toda minha usura, tudo o que o capitalismo pode me dar para agradar o que o coração desejou. Mas o dinheiro acabou, o lucro não voltou e o capitalismo aproveitou de mim e de mim agora não quer mais saber. Agora estou abandonado e sozinho, com remorso e saudade dos primórdios desta paixão monetária arrebatadora que me levou ao êxtase, mas não deu certo e agora ele não me quer. Ora volte capitalismo! Volte para mim! Eu sinto falta de você, eu ainda te amo, eu ainda guardo na minha conta bancária uma reserva do que eu tenho, eu ainda tenho uma herança. E o capitalismo voltou para mim, pois um amor incondicional e inseparável não termina com pequenos erros que se pode pagar o reparo, assumir os prejuízos e continuar amando, explorando, desfrutando, comercializando, vivendo e lucrando.