domingo, 5 de janeiro de 2014

CLVIII

Sinto muito
Por ter lhe magoado
Devia tê-lo feito
Com propósito

O propósito de que você entenda
Que se você deixar teu coração exposto
Não resistirei em machuca-lo

Cicatrizes idôneas
Harmonizam com tua face
Quando não se encobre de disfarce
Para não mostrar teu semblante de várias mortes

Eu não quero saber da tua dor
Apenas como provoca-la
Para que voltes com um espinho cravado
Quando retornares para tua casa

Este espinho
Que enfraquece teu amor e tua força
Eu posso tirar-lhe
E curar teu sofrimento

E o poder está em minha posse
Assente-se no último banco
Para que meus convidados se regozijem em minha festa

Nada te resta
Senão continuar sozinho
Com esse espinho
Não pretendo retirar...